A intrigante ciência das ideias que dão certo

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Corporações centenárias (GE, COCA-COLA, FORD, IBM) podem ter mantido o mesmo nome ou o mesmo logo, mas são completamente diferentes do que um dia já foram. “Boas empresas são as que aprendem a se transmutar”. O livro “A intrigante ciência das ideias que dão certo” comprova que é um erro pensar que empresas podem ou devem durar, no sentido convencional do termo. Elas transmutam-se. Seus produtos, serviços e, muitas vezes, mesmo seus valores, são outros. Se não, não existiriam mais. A entropia as teria devorado. Entropia?

As analogias com ideias científicas levam ao conceito de entropia, tendência à desordem que prevalece sempre – em qualquer contexto – se não houver fluxos energia para manter “organizado o organizado”. Organização requer energia; desorganização ocorre naturalmente. Desorganização é grátis, organização tem custo. Para que a entropia não prevaleça, a organização (seja de que tipo for) tem que receber fluxos de energia continuamente. O leitor é guiado no entendimento do que é necessário para aprender a “mudar permanecendo”.

Sempre apoiado em conceitos científicos, o livro mostra que é nas lideranças empresariais que se devem buscar os fluxos de energia necessários para aumentar sua capacidade de inovação, vencendo a “entropia organizacional”. O conceito de empresa perene é traiçoeiro. Para permanecer, a empresa tem que inovar, transmutando-se. Empresa inovadora é a que sabe fazer a gestão do processo de permanecer através da mudança.

As empresas “vencedoras” são as que constroem ambientes que permitem a emergência da inovação por meio da experimentação permanente; avançam eliminando o que não dá certo, não adicionando coisas novas ao que são hoje. Como o autor mostra, o amanhã só é discernível passo a passo. “As boas empresas eliminam o que as impede de caminhar para o futuro, mas o futuro é sempre adjacente ao presente, não se pode vislumbrá-lo por meio de saltos de imaginação.”

Infinitas portas sempre podem ser abertas pela imaginação, mas só algumas levam a ideias que podem dar certo. Estas tem que estar nas adjacências do que já existe. O YouTube não poderia ter acontecido antes que a banda larga estivesse disponível. Desde os anos 1940 se fala num híbrido “carro-avião” que nunca aconteceu, apesar de haver tecnologia para isso. A tecnologia do fax existe desde os anos 1920, mas só se tornou disseminada no fim dois anos 1980. Há inúmeros exemplos.

Soluções criativas em todos os campos estão embutidas na dinâmica que começou na origem do universo, no Big Bang, há exatos 13,67 bilhões de anos. De alguma forma, as “ideias que dão certo” estavam programadas desde sempre, aguardando as geografias certas – os possíveis adjacentes – para se materializarem. Se Einstein não tivesse criado a teoria da Relatividade, outro teria criado. É a busca da inovação permanente que garante o aumento do prazo de validade das empresas por meio da exploração dos seus “possíveis adjacentes.”

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