Carreira e sucesso: 10 reflexões vitais em personal branding

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Acredite. Você é um empreendimento que deveria dar certo.
Goste da ideia ou não, você é um empreendimento que tem um “produto” a oferecer ao mercado, que é o que você faz profissionalmente. Você também tem um ciclo de vida útil – o tempo que você vai passar trabalhando na sua fase produtiva – muito parecido com o ciclo de vida dos produtos. E você também tem públicos que podem comprar ou não “o produto você”. Dessa forma, você deveria se pensar o tempo todo como um empreendimento que deveria dar certo (como as boas empresas) e que, para tanto, precisa ser planejado, ter metas e pensar em estratégias para cumpri-las. E como as empresas (de novo, as boas), você não deveria apenas tentar sobreviver. Pelo contrário,deveria concentrar todas as energias em ser um empreendimento de sucesso (seja qual for a medida do seu sucesso).

Você é uma marca. Marca de quê?
Como empreendimento, você é uma marca. Você pode ser uma marca bem sucedida, mediana ou uma marca mal sucedida, sempre em apuros como muitas que a gente encontra por aí. Você decide. Mas não tem escolha. Não existe a possibilidade de não ser uma marca. No mercado, entre as pessoas que o conhecem ou que conhecem o seu trabalho, seu nome e sobrenome evocam alguma coisa nesses públicos. E essa percepção (sentimento gerado quando pensam em você) é parte do que você construiu como marca pessoal, que pode ser alavanca para impulsioná-lo ao sucesso ou uma âncora na sua carreira. Fazer personal branding é fazer gestão deste “ativo você” e colocar sua marca a trabalhar em favor da sua carreira.

Que sinais você dá como marca pessoal?
Como marcas pessoais, somos instrumentos multimídia emitindo sinais o tempo todo. Falamos e nossa voz cria percepções. Nossa aparência, nossas atitudes criam percepções boas ou ruins. Tudo que fazemos acaba gerando sinais e criando percepções. Assim, a grande pergunta a ser feita é: os sinais que você emite na sua voz, na sua aparência, na postura, nas suas atitudes, são coerentes com o que você quer da vida? Faz sentido no seu plano? Esses sinais reforçam o valor da sua marca? Pense nisso. Porque numa sociedade envidraçada como a nossa, isso pode ser um importante fator de sucesso como de fracasso na sua carreira.

No que você faz diferença mesmo?
Marcas fortes são fortes porque são diferentes do resto e representam alguma coisa que as tornam únicas. E por isso tornam-se valiosas e são compradas por um preço superior. Profissionais deveriam refletir muito sobre isso. Sobre que diferença fazem se comparados com todos os outros profissionais que fazem a mesma coisa. Para refletir sobre isso, comece com as seguintes perguntas: o que eu faço melhor do que todo mundo que pode ser o meu grande diferencial como marca profissional? Que caraterística eu tenho que me torna único e com valor no mercado? Que diferença eu faço? Por que o mercado me compraria? Você não sabe?

Foco é vital para as marcas. E a sua marca? Tem foco?
A imensa maioria das marcas no mercado corporativo não morre por inabilidade, falta de recursos ou falta de clientes, mas morre por absoluta falta de foco. Acredite. São marcas que não sabem o que vieram fazer no mundo. Querem ser tudo e acabam não sendo nada. Essa doença afeta muitas marcas corporativas, mas afeta de forma dramática a imensa maioria dos profissionais no mercado. Você conhece o tipo: faz todo curso que surge pela frente, viaja para todos os lados, pipoca aqui e ali, quer tudo, dá sinais contraditórios o tempo todo. Descrevê-lo? Impossível. É essa coisa sem foco que a gente não tem a mínima ideia do que é, nem para onde está indo? Chamamos de marcas esquizofrênicas. E você? Qual é o seu foco? Você tem um?

Se você não tem um plano, está à deriva.
Um plano não garante tudo. Nem garante que você tenha sucesso. Um plano pode ser apenas um papel rabiscado se você não souber usá-lo. Mas a ideia de um plano, na pior das hipóteses, pode fazer você refletir sobre um monte de coisas que são vitais na sua carreira e que, na correria do dia-a-dia, você acaba esquecendo. Você pode refletir sobre você mesmo, sobre sua marca pessoal e sobre suas forças e fraquezas, sobre as circunstâncias em que você se encontra, sobre onde você compete, sobre porque você compete, sobre com quem você compete e como você imagina ganhar. Até mesmo sobre aonde você quer chegar. Ou seja, um plano pode ser apenas um monte de perguntas. Mas, na maioria das vezes, apenas o exercício de tentar respondê-las já fará parte da transformação. Pode não garantir o sucesso, mas garanto que um bom plano faz você ter algum controle sobre seu próprio caminho. E isso já é um passo importantíssimo para quem quer deixar de ser refém das circunstâncias.

Quais são os seus objetivos para os próximos cinco anos?
Grandes organizações dedicam tempo e recursos para planejar seus movimentos e determinam metas ousadas para si mesmas. Isso faz com que toda a organização saiba para onde vai e porque está fazendo esta ou aquela coisa. Estranhamente, estes mesmos executivos que planejam suas empresas se esquecem de se planejar. O resultado? A imensa maioria de nós acha que tem um plano – um plano na cabeça, mas na verdade, anda à deriva, perdido, lutando contra as circunstâncias. Por isso, nunca esqueça: objetivos são poderosos instrumentos para nos manter focados. Fazem com que enxerguemos claramente o que é oportunidade e o que é armadilha. E mais, nos ajudam dando uma razão a mais para lutar. E você sabe que isso faz uma diferença enorme num mercado onde a maioria não tem a mínima ideia para aonde está indo.

Por que você levanda da cama de manhã?
Muita gente no mercado sabe onde está, mas não sabe aonde quer chegar. E existe o contrário. Gente que persegue alguma coisa, que sabe aonde quer chegar, mas que não tem a mínima ideia da sua posição atual, nem de suas forças e fraquezas. Em ambos os casos, os planos têm muita chance de fracassar por isso. Um bom plano pressupõe que você se pergunte muito e que descubra três coisas que são vitais para a carreira: onde você está; aonde você quer chegar; e o mais importante, por que você quer chegar lá?

Qual é a sua reputação no mercado?
Numa sociedade envidraçada como a atual, onde todos sabem de tudo e todos estão expostos a tudo, nada será mais importante do que a reputação. Esqueça recursos, esqueça tecnologia, esqueça todo o resto. Na carreira, nada é mais importante do que construir e manter uma ótima reputação no mercado. Com boa reputação, tudo se torna possível. Com má reputação, nada é possível. Jamais se esqueça disso.

Qual será o seu legado?
Eu vejo legado na vida como a marca que a gente deixa no mundo. É um patrimônio que construímos ao longo de toda a vida e que, no final das contas, é o que dará sentido às trajetórias de uma vida toda. É a “marca da nossa marca pessoal” e tudo que ela representou. Já pensou sobre isso? Se não, pense e reflita. Que marca você deixará no mundo? Que marcas você deixará no seu bairro, na sua cidade, na sua família, na sua empresa, nas pessoas à sua volta? Pense nisso. Porque é isso que dá sentido às nossas vidas e é por isso que vale a pena planejar a sua marca pessoal.


ARTHUR BENDER
Especialista em estratégias de marcas, é pós-graduado em Literatura Brasileira e Marketing. Publicitário com mais de 20 anos de experiência, dedica-se ao planejamento estratégico de marcas nacionais e internacionais no mercado corporativo. Lançou no Brasil o conceito de Personal Branding em 2001: tendo planejado dezenas de marcas pessoais, é um dos maiores especialistas no tema.

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