Dafiti: o império da moda online

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Empresa que começou em um apartamento em São Paulo hoje tem operações em vários países da América Latina.

Segmento de Moda e Acessórios lidera as vendas no e-commerce brasileiro, com 17% do faturamento.

Tempo escasso, congestionamentos no trânsito, falta de vagas para estacionar nas grandes cidades. Junte tudo isso a uma sociedade cada vez mais conectada e livre para realizar suas atividades a qualquer hora e em qualquer lugar através das plataformas móveis de acesso disponíveis nos tablets e smartphones. É exatamente essa combinação de fatores que justifica o espantoso crescimento do comércio de moda online no Brasil. Para se ter uma ideia desta evolução, somente no primeiro semestre de 2014, segundo dados da consultoria italiana Translated, o comércio eletrônico brasileiro faturou mais de R$ 16 bilhões, crescimento de 26% em relação ao mesmo período no ano anterior. E foi aproveitando esse boom que três estrangeiros e um brasileiro que morava no exterior se juntaram para fundar a Dafiti, maior portal e-commerce de moda no país.

Para o CEO e cofundador, o alemão Malte Huffmann, a confiança dos consumidores é um dos principais motivos para que o comércio de moda pela internet crescesse no Brasil. Há três anos, explica, comprar online ainda não fazia parte do costume do público tupiniquim. “Quando chegamos em 2011 vendendo apenas calçados pela internet, éramos os únicos a fazer isso no país. Acreditamos no setor e conseguimos expandir ainda mais nosso portfólio. Apesar da desconfiança do início, o brasileiro já estava adaptado a comprar online e quebramos paradigmas sobre a venda online de moda, influenciando os hábitos de compra dos brasileiros”, explica.

Atualmente, a categoria Moda e Acessórios lidera as vendas no e-commerce brasileiro, com 17% do faturamento do setor. Logo na sequência, vêm Cosméticos e Cuidados Pessoais, com 16%. Para se ter uma noção do potencial de crescimento desse mercado, até o fim de 2013, o Brasil tinha mais de 51 milhões de consumidores que já tinham feito compras pelo menos uma vez através da internet; para 2014, a previsão é que mais de 12 milhões de clientes sejam somados a esse total. Dentro de pouco tempo, no máximo dois anos, o segmento de vendas online no Brasil deve ser o quarto maior do mundo, ultrapassando Reino Unido, França e Alemanha. Atualmente, ocupamos a 7ª posição.

“Ao comprar online, o consumidor escolhe quando, como e onde quer consumir. Não precisa sair de casa e pode comprar até mesmo com um smartphone ou tablete, através do nosso aplicativo. Esses fatores fizeram com que os clientes de e-commerce amadurecessem de uma maneira geral. Comprar online já não é mais um desafio e sim uma preferência. A opção do frete gratuito acima de R$99,90 e de troca gratuita até 30 dias ajudou a conquistar a confiança dos consumidores”, revela Malte Huffmann, da Dafiti.

A política de frete grátis e as garantias de troca, vale salientar, tornaram-se um grande incentivo para a entrada de novos consumidores para o e-commerce. Estes dois fatores reunidos estão fazendo com que muitas pessoas passem a experimentar as facilidades e a liberdade de escolha proporcionada pelo comercio online. Outro fator importante que tem aquecido as vendas do setor é o crescente acesso das pessoas a plataformas móveis disponíveis em tablets e smartphones; as vendas através destes dispositivos fazem parte de um segmento especial dentro das vendas online chamado de M-Commerce (Mobile Commerce).

“A Dafiti hoje recebe cerca de 50 milhões de visitas por mês, o que mostra uma grande mudança de comportamento do brasileiro. A Dafiti oferece marcas e produtos que provavelmente as pessoas não encontrarão em cidades menores do país. Isso mostra que o consumidor não está apenas atrás de preço, mas ele quer, cada vez mais, moda acessível. Por outro lado, quem mora em cidades grandes busca conveniência, praticidade, moda, conteúdo em um único lugar. É por esse tipo de comportamento que desenvolvemos as nossas plataformas mobile. O consumidor está cada vez mais móvel e realiza compras onde quer que esteja: seja no ônibus a caminho de casa, na estrada”, explica o CEO da Dafiti.

A velocidade da internet adaptou-se bem às mudanças rápidas das tendências, típicas do segmento da moda, o que fez com as novidades das grandes marcas pudessem chegar de maneira mais ágil aos olhos dos consumidores. Promover uma aproximação ágil entre tendências das passarelas e as ruas faz com que o segmento fashion esteja sempre aquecido, e isso cria todo um novo mercado consumidor em locais que não tinham acesso às marcas mais famosas e desejadas. No caso da Dafiti, que trabalha com várias marcas, o trabalho de identificação dos gostos do cliente é de suma relevância.

“Temos uma equipe especializada e exclusiva que busca conteúdo e tendências para adaptar ao gosto dos brasileiros. Esta equipe viaja para vários países da Europa (além de outros locais) para buscar o que há de mais novo para próxima estação, realiza pesquisa e estudos para trazer novidades do mercado mundial de moda”, conta Malte Huffmann. A empresa, que começou tímida em um pequeno apartamento em São Paulo, hoje tem operações em vários países da América Latina e vem crescendo a passos largos.

Desafios? Vários. Mas o sócio-fundador da Dafiti elenca um mais urgente: “De modo geral, acredito que precisamos de mais investimentos em infraestrutura e logística. Em um país tão grande como o Brasil, seria muito importante termos mais opções de transporte, o que possibilitaria trabalharmos com custos mais baixos, que naturalmente impactariam o consumidor”.

 

ENTREVISTA COM O CEO, MALTE HUFFMAN

Quais os principais desafios para manter uma operação do porte da Dafiti?
De uma maneira geral, os principais desafios de um e-co-mmerce são conquistar a confiança e fidelidade do consumidor, armazenagem de produtos, logística e plataforma online robusta que facilite a navegação do cliente. Buscamos sempre oferecer uma ótima experiência de compra desde o contato com o nosso site até o momento final, que é a entrega do produto em casa em perfeito estado. Para superarmos os desafios logísticos no Brasil, contamos com cerca de 18 transportadoras que entregam no Brasil todo, além dos Correios. Com isso, garantimos a entrega dos pedidos aos consumidores onde quer que eles estejam. A questão de armazenagem nós já superamos: nosso centro de distribuição tem 38 mil metros quadrados com espaço útil de 120 mil metros quadrados e capacidade para 10 milhões de itens: somos o maior closet do Brasil. No site, além de oferecermos uma infraestrutura tecnológica que permite melhor navegação, o cliente encontra na Dafiti conteúdo de moda, dicas de beleza, curadoria, sugestões de looks, etc.

Como a Dafiti consegue manter uma relação comercial positiva e de confiança com tantos fornecedores e parceiros que fazem parte do ambiente de negócios da empresa?
Transparência nos nossos negócios e nos nossos relacionamentos, seja com os consumidores, fornecedores, funcionários e parceiros. Trabalhamos sempre alinhados com a estratégia de negócios de cada marca, respeitamos sua identidade e valores, entregamos o melhor serviço online de moda para que eles possam confiar na Dafiti para revenda de seus produtos.

Qual o tamanho da operação da Dafiti hoje e quais são os projetos de expansão previstos na estratégia de negócio da empresa?
Temos uma operação bem robusta não só no Brasil, mas também na América Latina, onde atuamos em mais quatro países: México, Argentina, Chile e Colômbia. No Brasil, temos um escritório em São Paulo e nosso Centro de Distribuição em Jundiaí. As Dafitis de outros países também possuem operação própria e com Centro de Distribuição próprios, no total são mais de 2.300 funcionários. O CD tem 38 mil metros quadrados, com área útil de até 120 mil metros quadrados. Lá estão localizados os 15 estúdios fotográficos, sendo cinco deles dedicados apenas à fotografia de produtos. No ano que vem pretendemos continuar nossos investimentos em tecnologia, com a automação do nosso centro de distribuição, foco em plataforma mobile e em novas tecnologias que melhorem ainda mais a experiência de compra dos clientes.

Que competências e habilidades específicas um executivo que deseja operar neste segmento precisa desenvolver para ter sucesso na carreira?
Um executivo de e-commerce precisa ser versátil e muito atento às novas tendências de mercado. Tudo o que acontece no meio online acontece muito rápido, e principalmente no mercado de moda, no qual as tendências mudam a todo o momento. Além disso, é preciso ter vontade de trabalhar e colocar realmente a mão na massa em todos os momentos. No início, éramos quatro sócios em um pequeno apartamento em São Paulo. Hoje em dia temos mais de 2.300 funcionários em toda América Latina. Além de ter um bom plano de negócios para conseguir competir nas rodadas de investimento, com dinheiro em caixa, o empreendedor precisa executar com excelência a sua operação e conhecer muito bem o mercado em que atua. Além disso, trabalhar sempre com transparência com seus parceiros, fornecedores, funcionários e clientes para ganhar credibilidade no mercado.

Como romper a barreira da confiança que ainda impede milhares de potenciais consumidores de fazerem suas compras de moda via internet?
Foi um desafio começar a vender moda online, mas hoje o consumidor já está mais habituado. Hoje conseguimos nos estabelecer no mercado e algumas estratégias nos ajudaram bastante. A possibilidade de troca e devolução do produto, as entregas no prazo, o foco no cliente, o grande investimento em curadoria de moda e a expertise que nós conquistamos ao longo desses três anos foram fundamentais para tornar a Dafiti uma empresa referência em moda online e assim conquistar a confiança do mercado e dos clientes. Acredito que ao seguirmos com essa estratégia faremos com que cada vez mais pessoas experimentem a compra online e habituem-se a esta comodidade.

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