Dinheiro em alto mar

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Indústria de cruzeiros marítimos movimenta bilhões no Brasil, mas ainda pode crescer mais.

Envelhecimento da população e aumento da oferta podem contribuir para desenvolvimento do setor nos próximos anos.

Quem nunca olhou para o mar, viu aqueles imensos navios cruzando o oceano e não desejou estar a bordo de um? Os cruzeiros marítimos ficaram eternizados na memória de muita gente por meio dos filmes de Hollywood, nos quais vemos personagens da alta sociedade degustando um bom champanhe em finas taças de cristal. Este sonho que vive no imaginário popular, contudo, está ficando cada vez mais acessível. Atualmente, embarcações de luxo cruzam a costa brasileira em pacotes de viagem com preços diversos, oferecidos por empresas especializadas. A indústria dos cruzeiros marítimos movimenta milhões de dólares em todo mundo e tem crescido, apesar das sucessivas crises financeiras dos últimos anos. Os navios que chegam e partem dos portos de várias cidades são responsáveis por boa parte da receita de turismo destes locais, constituindo um excelente meio de promover as belezas naturais e os pontos turísticos por onde passam.

Somente no Brasil, a indústria de cruzeiros movimentou um valor acima de R$ 2 bilhões na temporada 2014-2015. O resultado empolga, mas ainda fica muito aquém se comparado com os números de outros países onde o segmento é mais maduro e consolidado. Estima-se que a indústria internacional de cruzeiros marítimos tenha finalizado 2015 com um crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior, com uma receita de aproximadamente US$ 39 bilhões, movimentando aproximadamente 23 milhões de passageiros em todo mundo. Isso mostra que a indústria de cruzeiros no Brasil ainda tem muito a ser explorada e pode gerar boas oportunidades de negócio nos próximos anos.

Entre 2014 e 2015, as quatro maiores empresas de cruzeiros que operam no país colocaram dez navios em operação na costa brasileira, oferecendo 29,5 mil leitos em 230 cruzeiros realizados no período (com 939 escalas). Isso gerou um total de quase 615 mil leitos ofertados nesta temporada. Levando em conta que, do total de passageiros, 85 % eram brasileiros e apenas 15 % estrangeiros, pode-se notar que a nossa indústria de turismo ainda tem muito trabalho pela frente. É certo que há espaço para ampliar o número de turistas de outros países desfrutando dos prazeres e belezas da costa brasileira, reconhecidamente uma das mais belas e encantadoras do mundo.

O gerente de marketing da MSC Cruzeiros, Bruno Cordano, explica que o mercado tem notado um desejo crescente do brasileiro em querer viajar mais. “Mesmo em tempos de crise, o consumidor não deixa de viajar, mas ele pesquisa e busca as opções com melhor relação custo beneficio e valor agregado. Neste cenário, principalmente os cruzeiros no Brasil se encaixam perfeitamente, atendendo plenamente as necessidades e exigências dos consumidores brasileiros”, explica. De olho nesse público, as companhias têm investido forte nas promoções. A MSC, por exemplo, tem pacotes com o câmbio congelado a R$ 2,99, além de facilitar o pagamento dividindo em até dez vezes.

É importante frisar que os impactos econômicos desta indústria não se limitam aos navios e às empresas que os mantêm: toda a economia das cidades por onde passam os cruzeiros é movimentada em um efeito cascata que gera empregos e renda para um segmento representativo da população. Isso acontece através da ocupação de restaurantes, passeios locais, venda de souvenires e outras atividades ligadas direta e indiretamente à chegada dos navios lotados de turistas. E viajar tem sido um dos principais investimentos das férias de muita gente mundo afora. Nesse cenário, os brasileiros estão cada vez mais conscientes das vantagens de optar por um cruzeiro marítimo no lugar de uma viagem tradicional.

“Os cruzeiros são viagens completas, com todos os serviços de hotelaria, gastronomia e entretenimento inclusos. Além disso, os cruzeiros, especialmente os internacionais, proporcionam aos viajantes a oportunidade de experimentar novas culturas através da visita a inúmeros países e cidades de uma única vez, de demonstrações culinárias inspiradas nos destinos da viagem e contato com hóspedes de diversas nacionalidades”, ressalta Bruno Cordano. Todos estes fatores aliados indicam que temos muito mercado a ser explorado pelas empresas que operam no país.

 

CRESCIMENTO

Alguns fatores podem contribuir diretamente para o crescimento da indústria de cruzeiros no Brasil nos próximos anos, entre os quais vale destacar o envelhecimento da população brasileira. Nos próximos anos, veremos a população da terceira idade do Brasil mais que dobrar, chegando a 63 milhões de idosos em 2050, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estes números revelam uma grande oportunidade de negócios para a indústria dos cruzeiros marítimos, haja vista que boa parte dos idosos opta por viagens de navio pela comodidade, segurança, opções de convívio social, atividades físicas e diversão. O cruzeiro temático “Qualidade de Vida”, da MSC, é um exemplo de como esse nicho já influencia no mercado. A programação da viagem inclui automassagem, aulas de yoga, alongamento, meditação e hidroginástica.

“Em geral, a média de idade do público brasileiro a bordo dos navios MSC é jovem, aproximadamente 60% do total tem entre 25 e 55 anos. Mas essas médias podem variar conforme a duração e destino do itinerário. Nos minicruzeiros e roteiros de 7 noites, por exemplo, a incidência maior é de público jovem-adulto, sendo na maioria casais e famílias. Já nas Grand Voyages, que são as viagens de travessia entre dois continentes, a incidência maior é por casais, famílias e grupos de amigos, inclusive da melhor idade”, revela Cordano.

Outro ponto que conta para o crescimento deste mercado é a maior oferta de cruzeiros na costa brasileira, principalmente os temáticos, que reúnem nos navios pessoas com interesses comuns. São temas como, por exemplo, a gastronomia. Há cruzeiros em que grandes chefs de cozinha são as estrelas a bordo, ou aqueles onde são oferecidos workshops para aprender a degustar vinhos finos. Também é possível encontrar cruzeiros musicais com temas e ritmos específicos e até cruzeiros para os amantes do golfe. Toda esta segmentação colabora para o aumento da demanda pelos cruzeiros marítimos, que oferecem uma excelente oportunidade para conhecer pessoas novas que tenham os mesmos interesses que os nossos, podendo discutir e aprender em comunidade.

 

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