Educação corporativa: aprendizado em períodos de turbulência

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Nos últimos tempos, temos acompanhado mudanças rápidas na maioria dos setores da economia. Essas mudanças, nas suas essências, provocam ansiedade não só às organizações, mas também aos seus colaboradores. A competitividade está diretamente relacionada a habilidades e conhecimentos que representam o diferencial nos mercados. Portanto, é preciso fortalecer o desenvolvimento contínuo dessas capacidades, o que resgata o fortalecimento da cultura organizacional.

Gerir um sistema corporativo contaminado por movimentos de crises, em casos habituais, coloca a promoção do aprendizado e o desenvolvimento da capacidade de fortalecer os conhecimentos internos como centro de custo, pois a razão lógica inicial é de sobrevivência e, portanto, extremamente vulnerável a cortes e postergações. Mudando de paradigma, como podemos sair de um modelo convencional de aprendizado e mantermos uma educação continuada e o desenvolvimento contínuo das competências? Como otimizar as ações de formação para que as pessoas permaneçam produtivas em detrimento de mudanças e crises? Será que a resposta passa então pela experimentação, melhores práticas e formação de grupos para solução de problemas? Não, isoladamente.

É preciso pensar na capacidade de promover aprendizagens na organização e não em organizar treinamentos isolados de seus colaboradores. Existe relativa dificuldade na identificação de um modelo de educação aderente à companhia, que represente um equilíbrio entre o alcance dos conteúdos, a complexidade de sua logística, e como consequência a complexidade de suas retenções. É preciso planejar equilíbrio entre educar de forma contínua e treinar. Para isso, é preciso definir canais abrangentes e adotar a formação por multiplicadores. Viver períodos instáveis deve nos levar a pensar em novas formas para atração e retenção de profissionais de alta performance.

Entre os conceitos atuais com maior força, está o que chamamos de verticalização nos modelos de educação corporativos. Ou seja, a ideia é não mais tratar temas de uma área específica de forma isolada, mas em cadeia com as outras áreas e departamentos da empresa, mediante cada efeito e resultado que o tema provoca. Uma prova disso são os processos de inovação. Sustentar boas ideias não é fator e obrigatoriedade de uma área específica, mas sim de toda a empresa.

Também é preciso fortalecer o uso de ferramentas de tecnologia comunicativas e metodologias atuais que incrementem o desenvolvimento e o barateamento de acesso na formação e retenção de profissionais. Atualmente, com a massificação dos sistemas de tecnologia, passamos a ter ferramentas diversas como solução, frente às necessidades dos quantitativos e das respostas do tempo. Como devoluta podemos aplicar os modelos de Educação a Distância (EaD), que não é nada muito novo. Já no século 17 ocorriam as primeiras ações através de cartas sobre informações científicas em Boston e, quando falamos do Brasil, podemos citar nos anos 60 alguns cursos promovidos à distância utilizando o rádio como canal de distribuição.

Porém, sem dúvida, com as novas gerações “Z” ou gerações world wide web, o momento é de forte aderência. A solução de Educação a Distância (EAD) é reconhecida como caminho eficaz para avançar modelos de educação sólidos e consistentes. Representa investimento com retorno adequado e abrangente em tempo e linguagem. Para o cientista Alex Sandro Gomes, as tecnologias de EaD permitem criar uma ampla gama de cenários de aprendizagem e organizar ativas comunidades de capacitação com ambientes de formação como o Openredu (openredu.org). Sendo assim, faz-se necessário aprofundar a discussão diante da produção de conteúdos e a formação de instrutores. Em geral as empresas não estão prontas para esse tipo de desafio. É preciso ter aderência às instituições que, na sua proposta de valor, tenham competência para ajudar as empresas na formação do seu modelo de educação e na organização dos conteúdos. Segundo o executivo da Ceton cursos online, Luiz Cláudio Bacellar, para fazer isso é necessário manter o conteúdo disponível e instigar as pessoas ao seu consumo o tempo todo, garantindo o alcance de todos na empresa. É preciso distribuir o treinamento para além da matriz. O desafio é fazer o aprendizado corporativo acontecer o tempo todo.

Outras dificuldades encontradas são a unificação de linguagem e a racionalização do tempo mediante a condução de transferência dos conhecimentos requeridos. É preciso um sonido único permanente dos modelos para que de fato se tenha uma educação corporativa. As soluções envolvem um design criativo que tenha amplo alcance. Em muitos casos, passa pela adoção de práticas de EAD, pela atualização, produção e distribuição contínua de conteúdos e pela promoção do engajamento das pessoas em torno de temáticas e objetos estratégicos.


J. PASCASIO

Consultor em varejo financeiro, com especialização em empreendedorismo e inovação pelo BI International. Possui cursos de extensão em gestão de risco na Itália, Estados Unidos e Argentina.

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