Governo de continuidade, mas não de continuísmo

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Em entrevista a Radar Executivo, novo governador de Pernambuco falou dos desafios e das prioridades do seu mandato.

Paulo Câmara teve a maior votação proporcional do país nas eleições do ano passado.

 O governador Paulo Câmara (PSB) teve a maior votação proporcional para o cargo em todo o Brasil nas eleições do ano passado: mais de 68% dos pernambucanos depositaram sua confiança no nome indicado diretamente por Eduardo Campos. Em entrevista a Radar Executivo, Câmara falou dos desafios e prioridades da sua gestão, iniciada oficialmente no dia 1º, data da sua posse.

Na visão do governador, sua gestão será marcada pela continuidade, algo diferente do mero continuísmo. Entre as medidas previstas, está o desenvolvimento de um Escritório de Projetos para auxiliar os municípios na captação de recursos. “Muitas vezes, eles [municípios] não conseguem obter os recursos para determinada área justamente porque não têm um projeto pronto”, conta.

Na educação, área em que o Estado comemorou bastante o resultado conquistado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, a promessa de Paulo Câmara é universalizar o acesso às Escolas em Tempo Integral em Pernambuco. ”Todo aluno quer quiser estudar numa escola em tempo integral terá a sua vaga assegurada. Também vamos fechar parcerias com as prefeituras para que cada município tenha pelo menos uma escola municipal que ofereça o Ensino em Tempo Integral”, garante.

Antes de ser eleito governador, Paulo Câmara foi secretário estadual de Administração, de Turismo e da Fazenda, tendo permanecido nesta última pasta de janeiro de 2011 até 2014, quando deixou o cargo para se dedicar à campanha. Auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Câmara é recifense, tem 42 anos, é formado em Economia e tem mestrado em Gestão Pública pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Quais caminhos Pernambuco deve seguir para continuar crescendo e atraindo cada vez mais investimentos de porte para o estado?

Paulo Câmara: Os caminhos traçados por Eduardo Campos, de uma gestão moderna e com grande foco na área social, com a oferta de serviços públicos de qualidade, principalmente para aqueles que mais precisam da presença e do apoio do Estado. Melhorando a qualidade dos nossos investimentos, fazendo as parcerias certas com o setor público e o setor privado, quando for necessário. Continuaremos também melhorando a infraestrutura do estado para manter a nossa atratividade para novos empreendimentos que gerem empregos e renda.

Também vamos continuar os investimentos na Educação, lembrando que nos últimos oito anos conseguimos implantar a maior rede de escolas de tempo integral do Brasil, maior do que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais juntos. Esse investimento já se transformou em excelentes resultados, tendo, Pernambuco, saltando da 21° posição do ranking nacional do Ideb em 2007 para o 4° melhor do País. Outra proposta é universalizar o acesso à rede de tempo integral e fazer parcerias com os municípios para ajudar no fortalecimento das escolas das redes municipais.

Vamos ter, ainda, um olhar especial para a qualificação profissional, capacitando as pessoas para que elas participem ativamente dos novos empreendimentos que chegam às suas regiões. Neste sentido, vamos direcionar as escolas técnicas para que elas tenham cursos voltados para o novo momento que atravessa o Estado.

 

Como o senhor enxerga a reeleição da presidenta Dilma e de que forma o estado pretende voltar a se aproximar do governo federal durante os quatro anos deste novo mandato presidencial?

Paulo Câmara: Temos que respeitar o resultado das urnas. É assim que funciona numa democracia. A presidente Dilma obteve uma aprovação grande, principalmente das regiões mais pobres. A eleição passou. Acredito que o nosso papel agora é ajudar o governo a governar. Vou buscar contribuir para o Brasil dar certo. Como dizia Eduardo, precisamos ganhar 2015, depois 2016, 2017… Um ano por vez. O país precisa melhorar muito em muitos aspectos. Precisamos voltar a crescer, não permitir a volta da inflação, combater as desigualdades sociais e regionais. Temos muito que fazer. E Pernambuco fará a sua parte. Nos últimos anos, nosso estado tem crescido acima da média nacional e da média do Nordeste. Se o Brasil voltar a crescer, nossos resultados serão ainda melhores. Vou procurar a presidente, apresentar os projetos de Pernambuco. Vamos dialogar. É isso que o eleitor que votou em mim e na presidente espera da gente: trabalhar juntos para melhorar a vida das pessoas.

 

O senhor teve uma votação expressiva mesmo não sendo tão conhecido da maioria da população e da mídia. A que o senhor atribui este sucesso nas urnas e quais compromissos o senhor precisa as sumir com a população para honrar os votos que recebeu?

Paulo Câmara: A gente sabia que iria crescer nas pesquisas quando o eleitor tivesse o conhecimento do nosso programa de governo e de quem era o candidato de Eduardo, de que a gente representava essa gestão bem avaliada, que contava com o apoio da maior frente partidária já feita em Pernambuco, com 21 partidos.

 

Em que pontos a sua gestão será parecida com a do governador Eduardo Campos e em que pontos a sua visão gerencial e política difere da dele?

Paulo Câmara: Não existem diferenças de visões gerenciais entre mim e Eduardo. Ele foi, é e sempre será a minha maior referência política. Tenho orgulho de ter feito parte do seu time. Eduardo me deu a oportunidade de ocupar três secretarias de Estado – Administração, Turismo e Fazenda. Sendo assim, nosso Governo será de continuidade, o que não quer dizer continuísmo. Vamos melhorar e ampliar aquilo que vem dando certo, como o modelo de gestão, as Escolas em Tempo Integral, as escolas técnicas, o Programa Ganhe o Mundo, o Pacto pela Vida, as políticas sociais, a interiorização do desenvolvimento.

 

Como o seu governo vai tratar de questões estratégicas como a educação básica e a formação de mão de obra de alto padrão de qualidade para que os empregos gerados no estado fiquem para os pernambucanos?

Paulo Câmara: A universalização do Ensino em Tempo Integral é uma das nossas prioridades. Todo aluno quer quiser estudar numa escola em tempo integral terá a sua vaga assegurada. Também vamos fechar parcerias com as prefeituras para que cada município tenha pelo menos uma escola municipal que ofereça o Ensino em Tempo Integral. No Ensino Técnico, teremos 40 unidades espalhadas por 34 municípios, beneficiando 50 mil estudantes. Além das disciplinas tradicionais, essas unidades vão oferecer cursos de acordo com as demandas de suas regiões. Os alunos terão a oportunidade de cursarem disciplinas que os deixarão preparados para o mercado de trabalho. A capacitação técnica também fará parte do currículo de muitas das 300 escolas de tempo integral da rede estadual.

 

Como o senhor enxerga o novo arranjo das forças políticas de Pernambuco e de que forma estas forças podem contribuir ou atrapalhar na gestão da máquina pública e na chegada de novos investimentos para o estado?

Paulo Câmara: A eleição ficou para trás. Há muito tempo desmontamos o palanque. Eu, da minha parte, vou estar focado em trabalhar muito, em cumprir tudo que foi colocado no nosso Programa de Governo. Pretendo dialogar com a oposição, sempre que for necessário, como fiz recentemente na reunião, em Brasília, com toda a bancada federal de Pernambuco para apresentar nossas prioridades nas emendas ao Orçamento Geral da União. Não acredito que a oposição vá criar dificuldades àquelas propostas que têm o objetivo de beneficiar a população, de criar ou ampliar programas e obras que refletem os interesses maiores do estado e não de um partido ou de um governante.

 

QUAIS SERÃO OS CINCO PILARES DA SUA GESTÃO E POR QUE O SENHOR DEFENDE ESTA VISÃO PARA GESTÃO PÚBLICA DURANTE O SEU MANDATO?

Paulo Câmara: Nosso Programa de Governo foi dividido em quatro eixos fundamentais: Qualidade de Vida, Desenvolvimento Sustentável, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e Gestão Participativa e Transformadora. As nossas diretrizes apresentam o compromisso com a continuidade de uma gestão amplamente aprovada pelo povo de Pernambuco. Nossa missão agora é dar novos passos à frente, na construção de um Estado mais justo socialmente, que crie oportunidades para todos.

 

COMO O SENHOR PRETENDE OPERAR EM CONJUNTO COM AS PREFEITURAS PARA TORNAR AS CIDADES DE PERNAMBUCO MAIS ATRATIVAS PARA OS INVESTIDORES E AGRADÁVEIS PARA A POPULAÇÃO LOCAL?

Paulo Câmara: Está no nosso Programa de Governo: vou criar o Escritório de Projetos para permitir que municípios tenham seus projetos feitos com a ajuda do Estado. Os municípios têm dificuldades para captar recursos. Muitas vezes, eles não conseguem obter os recursos para determinada área justamente porque não têm um projeto pronto. O mesmo caminho será seguido na Educação, dentro do programa Nova Escola Integrada.

 

O QUE FEZ O SENHOR ASSUMIR UM DESAFIO TÃO COMPLEXO QUANTO GERENCIAR UM ESTADO COM TANTOS CONTRASTES COMO PERNAMBUCO. O QUE MOVE O SENHOR PARA ENFRENTAR ESTE DESAFIO?

Paulo Câmara: Sou um servidor público de carreira, auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado. Ao ser escolhido por Eduardo e por uma frente partidária de 21 partidos, tive a oportunidade de, na minha primeira eleição, alçar o maior cargo de Pernambuco, ser governador. E estou muito focado nisso. Na verdade, estou entusiasmado, honrado pela confiança que recebi da população, afinal conquistamos 68% dos votos. Mas vamos governar para todos os pernambucanos, com muita responsabilidade.

 

SERÁ INEVITÁVEL A COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DO SEU GOVERNO COM OS DO GOVERNO EDUARDO CAMPOS APÓS OS QUATRO ANOS DE MANDATO. COMO O SENHOR ENXERGA O DESAFIO DE MANTER UM PATAMAR TÃO ELEVADO DE GESTÃO E APROVAÇÃO?

Paulo Câmara: Eduardo Campos estará para sempre na história de Pernambuco por ter propiciado esse novo momento no desenvolvimento do estado. Pernambuco se reindustrializou. Começamos a transformar a educação de qualidade num instrumento de oportunidades de melhoria de vida para aqueles que mais precisam. Essa comparação será natural e eu tenho a sorte de encontrar essas bases muito sólidas para ampliar e melhorar ainda mais tudo que foi conquistado nos últimos oito anos. Vou focar meu trabalho em entregar, nos próximos quatro anos, um estado melhor do que encontrei.

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