ESCRITOR

ESCRITOR

AUTOR DE TRÁS PARA FRENTE

Dizem que o caminho de todo grande leitor é se tornar escritor, esse é um caminho quase que natural, de tanto ler, passamos a dominar com certa segurança a técnica do texto e aprendemos a conviver neste universo maravilhoso das letras e das palavras. Eu tenho uma maneira muito pessoal de começar o projeto de um novo livro, eu sempre penso primeiro no título do livro, em seguida passo a pensar nos títulos de cada um dos seus capítulos e depois começo a preencher cada um destes capítulos com o devido conteúdo. Isso aconteceu com todos os livros que lancei até agora, tudo começa com uma ideia, um sentimento de que certas pessoas terão interesse em ler sobre o tema que quero escrever. Daí começo a escrever, meio que de maneira invertida. Defino o título do livro, depois os títulos de cada capítulo e só então começo a colocar o recheio que é o conteúdo.

Neste processo de construção o livro vai ganhando corpo e identidade, ele começa a ganhar alma e ter vida própria. Uma ideia vai puxando a outra e esse processo segue até que o livro seja finalizado. Não sou de sentar para escrever só quando tenho inspiração, quem escreve profissionalmente como eu, precisa ter disciplina e planejamento para conseguir entregar os textos para a editora no tempo certo e no formato exigido. Erra quem pensa que escritor escreve somente quando está inspirado, no dia-a-dia isso não funciona, eu costumo dizer que a criatividade precisa ser domada para que possamos dirigi-la para a finalidade certa, senão, de nada adianta ser criativo, se tudo que criamos se perde pelo meio do caminho.

O ofício de escrever exige um trabalho elaborado de lapidação, o texto chega a nossa mente como uma pedra bruta que precisa ser lapidada para ganhar brilho e intensidade. Para que isso aconteça, é necessário estabelecer uma conexão emocional com quem está lendo, é por isso que cada palavra precisa ser bem colocada, para que provoque as reações certas na mente e no coração do leitor. Todo texto precisa cumprir uma função dentro do conteúdo, os excessos precisam ser eliminados, até que reste apenas o essencial para transmitir emoção e construir conexão na dose certa. Escrever é um trabalho elaborado, pois o texto é um patrão exigente que não aceita nada menos que toda a nossa dedicação para que possamos cumprir o nosso papel de transmitir aquela mensagem com maestria.

No final deste processo criativo, não sou mais eu que escrevo, o livro me devora e me consome por inteiro. As letras saltam dos meus dedos como milho quando toca em óleo quente, as ideias literalmente pipocam em minha mente e invadem a tela do meu notebook sem que eu perceba o que está acontecendo, é como se eu não estivesse mais lá escrevendo. O meu computador ganha vida e começa a escrever sozinho. É neste momento de fluidez de pensamento, que sinto que devo caminhar para o gran finale, é chegada a hora de dar um fim ao processo. Para mim é o momento mais difícil, o momento de fechar o fluxo e chegar a um ponto final que faça sentido para mim e principalmente para o leitor. Quando chego neste ponto, eu já transbordei e entreguei tudo que tinha para o texto, eu me esvazie por inteiro, não resta mais nada em mim daquela ideia original, tudo passou para o papel. Eu sou assim: escritor por natureza, autor por profissão.

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