JORNALISTA

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NÃO SE DEVE CRUZAR JORNALISTA COM AUTOR

As profissões de autor e jornalista são como primos distantes, se encontram nas festas de família, mas na maioria do tempo não se falam nem se veem. A função do jornalista é entregar-se aos fatos e entender os diferentes ângulos de visão e interesses envolvidos, mantendo-se a uma distância conveniente das suas próprias opiniões para não correr o risco de ser tendencioso. Enquanto o autor tem que se entregar ao texto de corpo e alma para poder deixar um pouco de si mesmo para o leitor, ou pelo menos um flash do seu sentimento e da sua visão sobre o tema. O autor tem obrigação de revelar a sua opinião sobre a ideia que está defendendo enquanto escreve. Fatos são a matéria prima dos jornalistas, enquanto emoções são a matéria prima dos autores. Não sou contra que estes dois universos se encontrem de vez em quando, porém sem muita intimidade, pois o cruzamento entre autor e jornalista, na maioria das vezes, gera crias estéreis que não conseguem se reproduzir com elegância e inteligência.

Os caminhos profissionais me colocaram  nesta encruzilhada, não sou jornalista de formação, mas exerço a profissão há alguns anos. Publiquei a Revista Radar Executivo, onde cuidava da produção dos conteúdos em estado bruto que seguiam depois para as mãos habilidosas do nosso editor, que fazia uma providencial lipoaspiração no texto para retirar as “gordurinhas” que estavam sobrando, deixando-o mais limpo e elegante para os nossos leitores. Sou jornalista e autor ao mesmo tempo, situação que como eu disse antes, nem sempre gera crias muito inteligentes, eu sou a prova viva disso. Quantas vezes me peguei tentando ser jornalistas quando devia ser autor e tentando ser autor quando devia ser jornalista. Já me peguei misturando fatos com emoção, quando deveria me ater apenas aos fatos, ou tentei colocar no texto muitos fatos e muita lógica, quando deveria ser só emoção.

Minha vivência como jornalista me levou até a televisão, passei três anos comandando o Programa Radar Executivo, um programa de entrevistas, onde eu recebia em estúdio executivos e empresários para falar sobre negócios e sobre o que a vida lhes ensinou. No princípio o programa tinha dois blocos, no primeiro o tom era mais empresarial e no segundo bloco a gente entrava mais nas lições que cada um tinha vivido e tinha prazer em compartilhar. O projeto do programa tinha sido desenhado inicialmente para durar apenas três meses, mas ficamos três anos no ar. Acredito que cumprimos a nossa missão de trazer um conteúdo inteligente para as noites de domingo, e isso agradou nossa audiência, que nos deu esse voto de confiança e a sua atenção. Mantemos um “canal memória “ no You Tube com os originais de todas as entrevistas como foram ao ar, é uma excelente oportunidade para você ouvir e aprender com esses ícones do empresariado nacional e escutar suas lições de vida que nunca vão deixar de ser relevantes.

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