TODO LUGAR AGORA É OFFICE

TODO LUGAR AGORA É OFFICE

As novas tecnologias móveis e a internet de alta velocidade estão transformando o  ambiente onde trabalhamos e fechamos negócios, até pouco tempo atrás, para uma empresa ser considerada grande, ela precisava estar instalada em uma sede suntuosa onde os seus executivos tinham salas enormes e um pelotão de secretárias para servi-los. Houve um tempo, que para se ter uma empresa, era necessário um espaço físico onde as pessoas viessem todos os dias trabalhar e executar as suas tarefas. As salas de reunião nesta época viviam lotadas em intermináveis sessões de planejamento estratégico, regadas a litros de cafeína e duravam até tarde da noite ou até alguém “morrer de tédio”, o que viesse primeiro.

Os bons profissionais eram aqueles que saiam mais tarde da empresa para mostrar serviço e chegavam mais cedo para ocupar os seus “postos de trabalho”, exatamente como em uma fábrica da Era Industrial, os escritórios eram vistos como linhas de produção e as pessoas como peças de uma grande engrenagem que precisava de controle, tarefas repetitivas e poucas ideias para funcionar. Neste ambiente, as pessoas eram “convidadas” a não questionar seus líderes, a não pensar em formas mais inovadoras de executar as suas tarefas e a não questionar a chamada “ordem natural das coisas”.

O local de trabalho era um santuário sagrado e inviolável, onde os “doutores do conhecimento” pregavam insistentemente a “conversão” das mentes às suas ideias e padrões de comportamento, para depois cobrar metas e objetivos dos “podres mortais” que estavam sob o seu “comando”. Logo em seguida, após esta “idade das trevas”, os setores de RH do mundo inteiro tiveram uma “crise de consciência” e todas as paredes das empresas foram derrubadas e as salas trocadas por “baias”, nome extremamente adequado para colocar “animais de carga”, como as pessoas ainda eram vistas naquela época. Apesar do sumiço das paredes dos setores onde trabalhavam e da sala do “chefe” não ser mais um “portal para outra dimensão” como muitos pensavam.

A visão dos gestores eram ainda de “chefe” e “subordinado”, onde quem estava por baixo não podia pensar mais do que quem estava por cima. Visão que ainda insiste em perdurar no coração de alguns executivos saudosos dos “bons e velhos tempos” onde mandava quem podia e obedecia quem tinha o mínimo de juízo. Até mesmo alguns “ex-subordinados”, agora promovidos ao patamar elevado de “colaboradores”, ainda sentem falta de um “chefe” para lhe dizer o que fazer buzinando ao seu lado o tempo todo. Vestígios na memória de um tempo que não volta mais.

As pessoas daquele tempo estavam preocupadas em ter um emprego e não um trabalho, um emprego paga as nossas contas, um trabalho dá significado a parte da nossa vida. As tarefas da nova economia, que giram em torno do conhecimento, foram promovidas, antes eram executadas pela força dos “braços” e agora estão sendo executadas pela força da “mente”. As ideias em si e a capacidade para torná-las reais, passaram a ter um valor econômico altíssimo neste novo ambiente de negócios. Os chamados ativos intangíveis formados pelo Capital Intelectual da empresa se tornaram a fonte do seu real valor.

Neste novo contexto, a forma de trabalhar mudou radicalmente nos últimos anos. Somos hoje personas virtuais, somos um avatar digital que pensa, sente e age remotamente, interagindo com pessoas e equipes que estão espalhadas pelo mundo todo, ligadas somente pela onipresente rede. Nossa conexão agora gira em torno da nossa missão e o nosso compromisso é com a mudança que acreditamos fazer parte, somos ligados mais a projetos do que a empresas, tocamos várias coisas ao mesmo tempo e fazemos parte de incontáveis comunidades. Estamos rompendo as barreiras do tempo e do espaço para ocuparmos nosso lugar no cyber-espaço, onde não existe relógio de ponto nem local de trabalho. Onde todo lugar é Office.

Neste novo ambiente de trabalho as empresas estão se desmaterializando e se tornando cada vez mais virtuais, todas as informações necessárias para a tomada de decisão dos executivos estão on-line em tempo real e ficam guardadas na nuvem podendo ser acessadas de qualquer lugar e a qualquer hora. O sentido de trabalho coletivo também mudou, hoje as equipes são remotas e são formadas por células de trabalho que estão envolvidas com vários projetos ao mesmo tempo e interagem em diferentes configurações com outras equipes e especialistas de diferentes pontos do planeta. 

O conhecimento transita em alta velocidade pela rede e pode ser manipulado e transformado a todo instante por qualquer pessoa que tenha acesso a plataforma daquele projeto. A divisão entre home e office está deixando de fazer sentido neste ecossistema de negócios virtual, trabalhamos onde for necessário, pois nosso escritório agora anda conosco dentro de uma mochila para onde quer que formos. Esta nova configuração das empresas fez surgir um novo mercado, o dos escritórios virtuais e dos ambientes de coworking. Existem hoje no Brasil aproximadamente 1.200 escritórios compartilhados legalizados segundo a ANCEV- Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais, esta rede movimentou aproximadamente 127 milhões de reais em 2017 e apresentou um crescimento médio de 20% nos últimos anos.

Este é o tipo de negócio fora da curva que não sabe ainda o que é crise e vai se consolidando por todo o país a uma velocidade de dar inveja a qualquer outro setor da economia. Hoje milhares de pessoas criam empresas que já nascem nestes ambientes de coworking, o que viabiliza muitas vezes o seu nascimento, manutenção e crescimento devido aos baixos custos operacionais dos escritórios compartilhados. Além da questão dos custos, muitos negócios são feitos dentro dos próprios ambientes de coworking devido à diversidade de profissionais e negócios que estão instalados nestas plataformas. A troca de ideias e a criatividade também andam soltas nos locais de coworking, onde pessoas das mais diferentes formações e origens podem conviver e trocar experiências.

Os cafés voltaram a ter o status de ambientes onde se pode fazer negócios e trocar ideias, é fácil constatar isso, basta andar pelos shoppings e ver quantos executivos estão com seus notebooks abertos trabalhando nos cafés. Fora isso, é cada vez mais natural, vermos reuniões de negócios sendo feitas em cafés por executivos e seus clientes após o horário normal de trabalho. Os cafés estão recuperando a magia que tinham na Paris da Belle Époque, onde escritores, artistas, visionários e idealistas se encontravam para trocar ideias, conspirar contra o sistema e lançar tendências.  O café continua atraindo os inovadores, criativos e revolucionários, só que agora a maioria deles é empreendedor, executivo ou empresário que já se acostumaram a gerenciar suas empresas e o seu trabalho da tela de um smartphone.

Vemos as pessoas trabalhando em seus notebooks e tablets nas praças e nas ruas dos grandes centros como: Londres, Nova York e Tóquio, onde a internet de alta velocidade já está disponível em hubs wifi espalhados por toda cidade, trazendo com isso, uma liberdade e autonomia nunca antes desfrutadas. O conceito de empresa mudou, o mercado mudou, só falta você mudar, para poder desfrutar desta nova realidade, onde qualquer lugar agora pode ser office.

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