Que beleza!

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Mesmo em tempos de crise, segmento de perfumaria e cosméticos cresce a passos largos no Brasil.

Mercado nacional é o terceiro maior do mundo e gera mais de 4 milhões de empregos.

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, disse Vinicius de Moraes. O poeta realmente sabia do que estava falando. O Brasil passou por muitas transformações nos últimos anos, mas uma coisa não mudou: nosso povo continua sendo um dos mais vaidosos do mundo. E não é para menos. Nosso País possui todas as condições para que o item “beleza” seja levado muito a sério. Belas praias, sol intenso e, claro, mulheres lindas. Não é à toa que o Brasil ocupa lugar de destaque como o terceiro maior mercado mundial para produtos de higiene pessoal e beleza, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Além disso, as previsões apontam que devemos ultrapassar os asiáticos até 2020.

Os números da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) impressionam. Para se ter uma ideia da dimensão deste mercado, basta mencionar o fato de que, em cinco anos, a quantidade de salões de beleza cresceu 78%, saindo de 309 mil estabelecimentos em 2005 para cerca de 600 mil em 2012. O segmento também é um dos que mais geram empregos no Brasil, algo em torno de 4,4 milhões de pessoas. O gasto mensal de famílias com serviços de cabelereiro, por exemplo, ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, um crescimento de 44% em seis anos. Por conta destes e outros fatores, o setor vem apresentando números de crescimento expressivos nos últimos 15 anos, chegando em 2012 a um faturamento total na casa dos US$ 40 bilhões de dólares, conforme dados da Euromonitor Internacional.

É na esteira desses acontecimentos que muitos brasileiros resolveram investir forte no segmento de beleza. Este é o caso de Chayza Dantas, CEO da gigante nacional Chlorophylla. No mercado desde 1986, a empresa tem se destacado em um meio cada vez mais competitivo, povoado por grandes grupos estrangeiros. Foi pensando nessa competição que a Chlorophylla investiu forte em um novo conceito de loja. “O projeto foi desenhado para proporcionar ao cliente uma experiência única, acolhedora e sensorial. O novo layout traz uma loja sem vitrines, quebrando qualquer barreira que possa existir para que o consumidor entre em nossa loja. Queremos que o cliente se sinta convidado a entrar, experimentar nossos produtos, sentar, tomar um chá e escutar uma música de sua escolha”, explica.

O setor de cuidados pessoais e beleza é diretamente afetado pelas mudanças apontadas pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estas mudanças na sociedade dizem respeito a alterações na estrutura da população como, por exemplo, o aumento da expectativa de vida e o crescimento nos níveis de informação, escolaridade e conectividade através das redes sociais. Por um lado, temos uma população que está vivendo mais e desfruta com maior intensidade os anos da maturidade. Por outro, há uma nova geração entrando para o mercado consumidor. Com tudo isso em mente, não resta dúvida que a indústria precisa se adaptar às novas necessidades desta classe de consumidores.

“A indústria da beleza, assim como a da moda, se reinventa a toda hora. A Chlorophylla incrementa esse cenário com produtos voltados para todas as faixas etárias, dando atenção especial a cada uma. Estamos sempre pesquisando, delimitando o perfil do nosso consumidor e trazendo soluções para as suas necessidades”, revela Dantas.

A população idosa irá mais do que triplicar nas próximas quatro décadas, de menos de 20 milhões de pessoas em 2010 para aproximadamente 65 milhões de idosos em 2050, passando a representar quase 50% da população brasileira. Hoje já se fala no jargão do marketing no termo Grey Power (Poder dos Grisalhos), que se apresenta como um imenso mercado consumidor para produtos do setor de cuidados com a saúde, higiene pessoal e beleza. Os consumidores desta faixa são mais exigentes, experientes nas suas decisões de compra e não são facilmente influenciados por modismos passageiros. Eles querem receber valor em troca do seu dinheiro, e por isso, são extremamente seletivos em suas escolhas e fiéis as marcas que estão acostumados a comprar.

Certa de que precisará, cada vez mais, se inserir em novos mercados, a Chlorophylla vem traçando um ambicioso plano de expansão, segundo a CEO Chayza Dantas. Com a instalação de uma fábrica em Gravatá, no Agreste pernambucano, a expectativa é que, inicialmente, a marca busque se consolidar ainda mais no Nordeste. A meta é atingir 200 franquias até 2020. “Em um segundo momento, o foco para abertura de franquias será as regiões Sul e Sudeste. Por enquanto essas e outras regiões do Brasil serão abastecidas pelo nosso sistema de e-commerce e o canal de venda direta, outro canal que acreditamos bastante. Historicamente, quando o mercado passa por uma crise econômica as pessoas procuram a venda direta para complementar a renda. A Chlorophylla também oferece essa oportunidade para aqueles que têm interesse em trabalhar como revendedoras”, afirma.

Como o mercado brasileiro neste setor, apesar da crise sistêmica, segue em franca expansão, as expectativas para o futuro são as melhores possíveis. O crescimento do mercado masculino, aponta Chayza Dantas, pode ser um grande filão a ser explorado pelas empresas. Além disso, o setor vai precisar estar de mãos dadas com o avanço tecnológico. Os consumidores têm buscado marcas que prezam pela sustentabilidade e atuam de forma consciente. “De olho no futuro, podemos destacar a busca por novas tecnologias minimizando impactos ambientais com insumos orgânicos, desde a sua formulação até a forma de transporte e produção de embalagens. Nós da Chlorophylla já temos uma grande preocupação neste sentido reduzindo esses impactos ambientais e garantindo produtos com eficiência e resultados rápidos. Também somos radicalmente contra testes feitos em animais”, ressalta Dantas.

Assim, de vento em popa o segmento de beleza vai marchando. Parece que o poetinha de Ipanema ainda continua tendo razão quando fala que beleza é fundamental. Pelo menos no caso dos brasileiros e brasileiras.

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