Uruguai: um país que “paga” para ser visitado

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Confira algumas dicas que a Radar Executivo separou para os interessados em conhecer nossos vizinhos.

Sucesso das medidas de estímulo ao turismo fez o governo uruguaio prorrogar os benefícios até julho deste ano.

O trânsito é tranquilo mesmo quando o relógio marca 8h, os motoristas – inclusive de ônibus – costumam sinalizar para que o pedestre possa atravessar a rua sem pressa e, em geral, pode-se andar sem medo da violência quando a noite chega. À primeira vista, fica claro que a descrição não se assemelha em nada com o cotidiano caótico dos principais centros urbanos do Brasil. No entanto, esse cenário, semi-paradisíaco para muitos, fica a poucos horas de avião do país do futebol: estamos falando de Montevidéu, capital do Uruguai, segundo menor país da América do Sul, à frente apenas do Suriname.

A tranquilidade que a principal metrópole celeste estampa no seu estilo de vida pacato é refletida já no tamanho da população da cidade, que não chega a 2 milhões de habitantes. O alto nível educacional desses moradores, já que o Uruguai tem os melhores índices do continente nesta área, reflete a limpeza das ruas e a gentileza quase involuntária do povo. A economia, por outro lado, ainda depende do setor agropecuário, sobretudo da criação de gado bovino e ovino. Daí entende-se a importância que o governo tem dado ao turismo, setor que exerce alguma importância nos vizinhos Argentina e Brasil.

No final de 2012, com o objetivo de atrair turistas estrangeiros, o governo determinou a devolução do Imposto no exterior. Tratava-se de uma reação a um movimento similar da Argentina, que implantou forte política para incentivar os cidadãos locais a não passarem o verão fora do país. Em tempo: o IVA é de 22% no Uruguai.

A medida deu tão certo que os ministérios do Turismo e da Economia chegaram a um acordo e o benefício foi estendido até 31 de julho deste ano. A devolução do imposto é contemplada, em grande medida, em serviços prestados por restaurantes e bares. Hotéis, pousadas e albergues não estão incluídos no pacote. Outra medida tomada pelo governo uruguaio é a devolução de 10,5% do preço de arrendamento de imóveis com fins turísticos, os conhecidos aluguéis por temporada. Da mesma forma como ocorre com o IVA, é preciso pagar com cartão emitido fora do país. E, claro, a transação tem que ser feita diretamente com uma imobiliária.

De acordo com a ministra do Turismo, Liliam Kechichián, em declaração feita à agência EFE, os benefícios “tiveram um impacto muito positivo e explicam, em boa medida, que se mantenha um alto fluxo de turistas argentinos”. A ideia, disse, é facilitar a chegada de estrangeiros ao Uruguai durante todo o ano, e não apenas em períodos específicos. A bem da verdade, o objetivo central é mesmo atrair os argentinos, mas as medidas têm chamado a atenção também dos brasileiros, povo que costuma ser fisgado com alguma facilidade ao saber que pode economizar dinheiro. Nesse caso, é como se o Uruguai pagasse para ser visitado.

Abaixo, a Radar Executivo separou algumas dicas para o leitor que deseja aproveitar os benefícios concedidos pelo governo uruguaio. Boa leitura. E boa viagem!

 

CIDADE VELHA
A Ciudad Vieja é o bairro mais antigo de Montevidéu e fica praticamente colada com o centro da cidade. Repleta de prédios históricos e alguns bares e restaurantes, abriga o conhecido Mercado del Puerto, onde é possível degustar a famosa parillada uruguaia: uma espécie de churrasco que mistura vários tipos de carne. O modo de preparo é um pouco diferente do que o brasileiro conhece, pois os cortes são dispostos em uma grelha inclinada. Além disso, a brasa fica mais próxima dos alimentos. No Mercado, é possível provar dessa iguaria em um dos vários restaurantes disponíveis. Nos mais sofisticados, o preço de uma refeição completa para duas pessoas fica em torno de R$ 200.

É na Cidade Velha que também fica uma conhecida rua boêmia de Montevidéu, a Bartolomé Mitre. À noite, costuma ficar lotada com os frequentadores dos diversos pubs e bares que existem nas proximidades do Teatro Solís, inaugurado em 1856. A entrada do bairro é delimitada pela Puerta de la Ciudadela, o que restou da muralha que protegia a capital nos tempos de colônia. Por muitas ruas, o tráfego de automóveis é proibido, o que garante uma boa caminhada entre os cafés, livrarias e galerias de arte espalhadas pela região.

CENTRO
Conhecer a fundo o centro de Montevidéu é, praticamente, reservar um dia – talvez mais – para percorrer a emblemática Avenida 18 de Julho. Logo ao sair da Ciudad Vieja, antes de chegar à via, há outro ponto turístico famoso da cidade: a Plaza Independencia. Lá, encontra-se uma gigantesca estátua do General Jose Artigas, militar considerado herói nacional. Embaixo do monumento, há um mausoléu com as suas cinzas. Nos arredores da praça, estão o prédio da presidência e o emblemático Palácio Salvo, uma imponente construção que, inaugurada em 1928, chegou a ser consi-derada a maior da América do Sul durante muito tempo.

Chegando a 18 de Julho, vê-se onde o comércio da capital uruguaia respira de fato. Lojas, restaurantes, casas de câmbio, hotéis e várias pequenas galerias permeiam esta que é uma das principais vias do município. Nela, fica a fonte dos cadeados, que, conta a lenda, os casais apaixonados que prendem um cadeado ali voltarão a visitá-la, juntos, um dia no futuro. Próximo, está a sede da prefeitura de Montevidéu. O prédio abriga um mirante no 22° andar que garante uma vista panorâmica inigualável da capital. No fim da avenida, está um obelisco dedicado aos constituintes. São 40 metros em homenagem aos homens que escreveram a primeira constituição do país, em 1830.

ESTÁDIO CENTENÁRIO E MUSEU DO FUTEBOL
Aqueles que têm disposição de seguir a linha reta a qual se estende ao fim da Avenida 18 de Julho encontrarão o Parque Battle, que reserva mais um ponto turístico importante da capital uruguaia. É lá onde se encontra o Estádio Centenário. Parada obrigatória para os amantes do esporte bretão, o campo que abrigou a primeira final de Copa do Mundo, em 1930, é uma espécie de volta ao passado. Abaixo das arquibancadas, está o Museu do Futebol, onde é possível ver troféus, documentos, camisas, chuteiras e uma série de arquivos que conta um pouco sobre a evolução desta modalidade. Camisas utilizadas por Pelé e Maradona estão entre as peças. Claro, como de se esperar, há inúmeras referências ao episódio conhecido como Maracanazzo, quando os uruguaios tornaram-se bicampeões mundiais ao derrotarem a seleção brasileira em pleno Maracanã, na Copa de 1950.

RAMBLAS
As famosas Ramblas nada mais são do que as avenidas que ficam às margens do Rio da Prata. Trata-se de uma espécie de beira-mar de Montevidéu, uma praia sem oceano. São pouco mais de 20 km de litoral, parte inegável da identidade da capital, e que foi declarada um monumento histórico nacional. Percorrê-las é um dos passeios mais agradáveis que se pode fazer ao ar livre durante o dia.

PUNTA DEL ESTE
Localizada no departamento de Maldonado, que fica próximo da capital Montevidéu, o balneário é um dos mais luxuosos do mundo e sempre fica lotado durante o verão. Em Punta, como é carinhosamente chamada, o visitante pode se banhar tanto nas praias do Oceano Atlântico, como nas águas do Rio da Prata. A infraestrutura do local é de primeira linha, contando com pousadas, hotéis, resorts, cassinos e restaurantes para os mais variados gostos, sempre com serviços oferecidos para um público exigente. Um dos mais famosos cartões-postais do balneário é a escultura que mostra uma mão gigante enterrada na areia. Mais conhecida como ‘La Mano’, o monumento, na verdade, chama-se “Monumento al Ahogado” – ou Monumento ao Afogado, em português. A obra de 1982 é de autoria do chileno Mario Irrazábal.

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