GERENCIANDO NO RITMO DO JAZZ

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Ritmo, harmonia e criatividade estes elementos sempre estiveram presentes em um dos gêneros musicais mais prestigiados de todos os tempos, estamos falando do Jazz. As bandas de jazz nos deixaram como herança o trabalho de verdadeiros gênios do improviso como: Charlie Parker, Miles Davis, John Coltrane, Wynton Marsalis e Duke Ellington, isso para citar apenas alguns nomes de peso de fascinante ritmo.

A música sempre serviu de metáfora para o ambiente empresarial, o primeiro pensador de negócios a usar imagens do universo musical para falar de gestão e liderança foi o saudoso Peter Drucker. Em um artigo publicado em 1988, ele referiu-se a empresa como uma orquestra sinfônica e ao líder como um maestro.

Quando Peter Drucker fez está comparação, o ambiente dentro das empresas era outro e a realidade de mercado era bem diferente do que é hoje. Naquele tempo, a rotina de trabalho era previsível e as tarefas que cada pessoa tinha que executar eram sempre repetitivas. As empresas estavam acostumadas a trabalhar olhando para dentro de si mesmas e não se preocupavam muito com os desejos do consumido.

O foco da empresa estava no produto e não no cliente, o trabalho era centrado no indivíduo e o esforço para executar as tarefas é meramente físico, além de tudo isso, os trabalhadores da época, estavam limitados aos espaços físicos e aos horários da empresa para realizar o seu trabalho.

Portanto, pensar a empresa como uma orquestra sinfônica e o líder como maestro fazia todo sentido. Para que as atividades fossem realizadas com perfeição e os resultados alcançados, cada pessoa tinha que cumprir rigidamente o processo de trabalho pré-estabelecido como se fosse uma partitura musical.

As empresas estavam acostumadas a trabalhar olhando para dentro de si mesmas e não se preocupavam muito com os desejos do consumido

A excelência na execução das tarefas era medida pela forma como as orientações do líder eram seguidas sem desvios do padrão estabelecido. Um bom funcionário era aquele que executava suas tarefas de forma rígida sem questionar as ordens do seu líder.

Na orquestra sinfônica quem determina como a peça musical vai ser executada é o maestro, ele é o líder, é ele quem zela para que a partitura seja seguida rigidamente sem que os músicos tenham espaço para mudar o ritmo, a harmonia ou melodia da música a ser executada.

No antigo ambiente de negócios, as pessoas precisavam de um maestro para dizer a elas o que elas tinham que fazer, não havia espaço para pensar criativamente ou para tentar soluções inovadoras para os problemas da empresa. A equipe estava submetida ao líder, e por isso, eram chamados de subordinados. Passados alguns anos, o ambiente de negócios foi mudando e o trabalho em equipe foi ganhando força, começaram as transformações na forma de trabalhar e o poder do líder começou a ser divido.

Neste ponto, as pessoas deixaram de ser vistas como meros subordinados e começaram a ser vistas como colaboradores, passando a serem corresponsáveis junto com o seu líder pelo sucesso da empresa. No novo ambiente de negócios, a metáfora da empresa comparada a uma orquestra sinfônica e o seu líder como maestro vem perdendo força na maioria das organizações.

No antigo ambiente de negócios, as pessoas precisavam de um maestro para dizer a elas o que elas tinham que fazer, não havia espaço para pensar criativamente

Neste novo cenário empresarial as mudanças são rápidas e imprevisíveis, neste novo ambiente de negócios as pessoas são preparadas para executar múltiplas tarefas. Hoje o foco do negócio é atender os desejos do cliente, a empresa começou a olhar para fora para tentar enxergar as oportunidades de mercado e para entender a dinâmica das mudanças que acontecem a sua volta.

O trabalho em equipe tornou-se uma peça fundamental para o sucesso das estratégias empresariais, e o esforço para conquistar os resultados é fruto do pensamento coletivo e da capacidade criativa. Estas mudanças forçaram as empresas a encontrar um novo modelo de gestão que estivesse mais alinhado com esses novos desafios, e a música, mais uma vez, nos deu a imagem que melhor representa esta nova realidade.

Chegamos hoje, a um futuro previsto a mais de vinte anos por Peter Senge em seu livro a Quinta Disciplina. Fazemos parte de empresas que aprendem, empresas da era do conhecimento, onde os principais produtos são conteúdo, ideias e soluções. Neste novo cenário, o Jazz nos traz importantes lições sobre como produzir resultados diante de ambientes de incerteza, usando a liberdade criativa como fonte de energia para produção de resultados.

Uma banda de jazz é um organismo vivo que está em constante movimento, seus componentes não se limitam a executar apenas a sua parte da música, eles improvisam e contribuem com o seu talento individual para a construção de um conjunto rítmico, harmônico e melódico único e especial que é fruto da soma da interação perfeita de todos os envolvidos.

Fazemos parte de empresas que aprendem, empresas da era do conhecimento, onde os principais produtos são conteúdo, ideias e soluções

Existe uma visão equivocada de que o improviso presente nas apresentações de jazz é algo desorganizado e feito sem método, está ideia não se sustenta. Os músicos de jazz conseguem improvisar soluções criativas porque possuem um forte entendimento do processo musical no qual estão envolvidos. Eles conhecem a fundo cada música: o seu ritmo, a sua melodia e a forma como harmonizar todos esses elementos durante a sua execução.

É isso que permite aos mestres do jazz improvisar com sucesso, eles tem um referencial sólido das estruturas do seu gênero musical para servir de base para realizar suas experiências musicais. A criatividade nas bandas de jazz não é exercida de forma aleatória e improvisar não significa criar algo do nada, para gerar resultados criativos, precisamos dominar com inteligência cada aspecto da nossa operação antes de tentar buscar soluções inteligentes para os problemas da empresa.

Os músicos de jazz conseguem improvisar soluções criativas porque possuem um forte entendimento do processo musical no qual estão envolvidos

A qualidade do músico de jazz é avaliada pela sua capacidade de fazer experiências com as músicas que toca, ou seja, pela sua habilidade de improvisar sobre um tema. Nas empresas de hoje não é diferente, a qualidade dos colaboradores é medida pela sua capacidade de se adaptar as mudanças e criar soluções inteligentes para enfrentar os desafios do mercado.

No jazz a liderança é rotativa, assume a liderança aquele que tem mais habilidade para desenvolver determinado tema ou aquele que enxergou uma forma mais criativa de executar o improviso. Em uma banda de jazz não existe maestro, todos são maestros e componentes da banda ao mesmo tempo. Qualquer um pode tomar a frente em uma determinada execução e depois ser guiado por outra pessoa da banda na música seguinte.

A fluidez da liderança no jazz é um dos elementos fundamentais da natureza musical deste gênero, e a prova viva, de que todos podem liderar quando seguimos de perto a voz do nosso próprio talento. Nas empresas modernas, planejamento e execução estão acontecendo ao mesmo tempo devido ao ritmo cada vez mais intenso das mudanças.

Precisamos ter a capacidade de dar respostas cada vez mais rápidas que não podem mais ser obtidas através das estruturas rígidas do passado. Temos que contar com equipes fluidas, que possam pensar e agir ao mesmo tempo, sem separar o planejamento da execução, alterando os rumos do trabalho e tomando decisões a cada minuto para agregar valor aos resultados.

Nas empresas modernas, planejamento e execução estão acontecendo ao mesmo tempo devido ao ritmo cada vez mais intenso das mudanças

Uma banda de jazz funciona exatamente assim, cada músico conhece o tema escolhido e ao longo da apresentação improvisa e cria oportunidades de executar a música de uma maneira diferente que muda de acordo com o ambiente, com a formação da banda e com a soma de talentos que foi reunida para aquela apresentação.

Gerenciar no ritmo do jazz, é colocar as forças criativas da sua equipe a serviço dos resultados, é aproveitar de maneira inteligente cada talento individual. É criar um roteiro mínimo para execução e deixar que os seus colaboradores encontrem o melhor caminho para entregar os resultados. É não se deixar vencer pelo pensamento estabelecido, é valorizar cada vez mais as oportunidades de mudança, é se arriscar, é não ter medo de criar caminhos diferentes para a sua empresa.

 

Autor: Prof. Jorge Menezes é palestrante, jornalista, escritor, colunista nas áreas de empreendedorismo e negócios. Apresentador do Canal Radar Executivo no YouTube e do Podcast Radar Executivo no Spotify. É autor de vários best-sellers: Aprenda a Negociar com os Tubarões® (2013), Transformando Networking em Negócios® (2015) e O Código Secreto da Venda® (2020) todos publicados pela Editora Alta Books – Contato: (81) 9 9119-5002 Whatsapp

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