OS PADRÕES DA MENTE E A TOMADA DE DECISÃO

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De que maneira os nossos padrões mentais afetam as nossas escolhas e influenciam as nossas decisões? Essa é uma pergunta-chave para todos aqueles que estão tendo que enfrentar um ambiente de mudanças hostis, voláteis e imprevisíveis. Aparentemente tudo que precisamos para tomar boas decisões é avaliar bem o ambiente, estabelecer objetivos e entender de maneira clara todas as variáveis envolvidas para depois estabelecer um plano de ação. Tudo muito simples, lógico e racional.

Essas condições seriam perfeitas se não fosse por uma pequena questão. Essas condições não existem na vida real. Na vida real as pessoas tomam decisões baseadas em fatores subjetivos, que na maioria das vezes, estão ligados aos nossos instintos e as nossas emoções. No plano perfeito dos livros de gestão, as pessoas analisam as possibilidades para tomar suas decisões de forma linear e racional.  A maioria dos gurus da liderança prefere fechar os olhos para a imensa irracionalidade dos seres humanos e tentam nos enquadrar forçadamente como seres racionais.

Na vida real as pessoas tomam decisões baseadas em fatores subjetivos, que na maioria das vezes, estão ligados aos nossos instintos e as nossas emoções

Basta olhar o mundo a nossa volta para ver que de racionais temos muito pouco, na verdade, nosso cérebro foi programado para reagir instintivamente às ameaças do meio ambiente. Se não fosse assim, nossos ancestrais pré-históricos teriam virado comida na mesa de alguma predador mais bem equipado do que nós antes mesmo de esboçar qualquer tipo de reação. A nossa tomada de decisão tinha que ser instintiva, pois os ataques que sofríamos aconteciam em questão de minutos, não havia segunda chance, muito menos tempo para planejar uma reação mais elaborada. Era escapar do bote ou morrer.

Essa programação ancestral era muito eficiente, a prova disso é que sobrevivemos e conquistamos o planeta. Acontece que os nossos instintos são um mecanismo de resposta automática, que as vezes, dá defeito quando precisamos pensar a longo prazo. Esse tipo de reação é o que eu chamo de Padrão de Resposta Instintiva, quando estamos operando dentro deste padrão, nossas respostas são mais rápidas, mas são baseadas em necessidades de curto prazo. Este padrão de pensamento reage de maneira automática para garantir nossa sobrevivência diante das ameaças do meio ambiente.

Os nossos instintos são um mecanismo de resposta automática, que as vezes, dá defeito quando precisamos pensar a longo prazo

Nossos instintos não são o único componente subjetivo que pode afetar as nossas decisões. Nossas escolhas também são muito influenciadas pela conexão emocional que estabelecemos com as pessoas. O Padrão de Resposta Emocional é uma evolução do nosso Padrão de Resposta Instintivo, a medida em que a nossa sociedade foi ficando cada vez mais complexa, os nossos relacionamentos passaram a ter uma importância muito grande para o nosso bem estar e para a manutenção do nosso crescimento.

Por conta desta crescente importância,  os nossos padrões de resposta emocionais foram sendo cada vez mais utilizados e aperfeiçoados, e passaram a fazer parte do nosso processo de tomada de decisão. Em nosso passado ancestral era muito importante criar conexões e estabelecer alianças que pudessem garantir um fluxo permanente de alimentos e também a proteção do grupo contra invasores que estivessem tentando invadir e  conquistar o nosso território.

Em nosso passado ancestral era muito importante criar conexões e estabelecer alianças que pudessem garantir um fluxo permanente de alimentos e também a proteção do grupo

O Padrão de Resposta Emocional tem a ver com o tipo de conexão que estabelecemos com as pessoas envolvidas em cada situação, para isso, precisamos identificar se estamos diante de um aliado ou de um inimigo. E esse tipo de percepção subjetiva, afeta diretamente a nossa avaliação do problema e as nossas decisões. O tipo de conexão emocional que estabelecemos com as pessoas afeta as nossas escolhas, somos mais inclinados a confiar em pessoas que pensam parecido conosco, independente se a ideia do outro é melhor ou pior do que a nossa.

Esse tipo de falha de percepção pode nos fazer cometer erros de avaliação na hora de tomar decisões, pois o Padrão de Resposta Emocional nos faz evitar as opiniões de pessoas que pensam diferente de nós, ou de pessoas que simplesmente nos desagradam por algum aspecto do seu comportamento. Mesmo que a visão delas seja a mais acertada para aquela situação.

Preferimos aceitar opiniões das pessoas que nos agradam e com as quais nos identificamos, e por conta disso, muitas vezes, damos as costas para opiniões divergentes, mas que poderiam ser muito oportunas para a soluções dos problemas que enfrentamos. Em nosso passado ancestral era muito importante criar conexões e estabelecer alianças que pudessem garantir um fluxo permanente de alimentos e também a proteção do grupo, mas são eles que estão em ação e são ativados sempre que precisamos fazer uma escolha, seja esta escolha pessoal ou profissional.

O tipo de conexão emocional que estabelecemos com as pessoas afeta as nossas escolhas, somos mais inclinados a confiar em pessoas que pensam parecido conosco

Portanto, não adianta nada acreditar que as nossas decisões são racionais e lógicas e que temos total controle sobre as nossas escolhas. São os padrões instintivos e emocionais que determinam boa parte do nosso comportamento e por isso precisam ser considerados e levados em conta quando estamos diante de cada nova decisão. A parte lógica do nosso pensamento entra apenas no momento de amarrar as nossas decisões, é nessa hora que justificamos as nossas escolhas instintivas e emocionais com argumentos lógicos para que possamos nos sentir mais confortáveis diante das nossas decisões.

O que costumamos chamar de melhor decisão, é algo que  na verdade não existe, tomamos nossas decisões com base nas impressões, sensações e informações que temos a nossa disposição naquele momento. O que nem sempre significa que aquela é a melhor decisão, no máximo, podemos dizer, que foi a decisão mais adequada para aquele momento.

A parte lógica do nosso pensamento entra apenas no momento de amarrar as nossas decisões, é nessa hora que justificamos as nossas escolhas instintivas e emocionais com argumentos lógicos

Portanto, pense bem na hora de tomar a sua próxima decisão, pois só assim, você poderá escapar das armadilhas da percepção e aproveitar ao máximo tudo de bom que os nossos instintos e as nossas emoções podem agregar para a qualidade das nossas decisões. E lembre-se, decisões não são apenas uma questão racional, existem fatores subjetivos que podem afetar as nossas escolhas e influenciar o rumo das nossas ações. Pode parecer um contrassenso, mas para tomarmos decisões racionais, temos que aprender a usar cada vez mais os nossos instintos e as nossas emoções.

 

Autor: Prof. Jorge Menezes é palestrante, jornalista, escritor, colunista nas áreas de empreendedorismo e negócios. Apresentador do Canal Radar Executivo no YouTube e do Podcast Radar Executivo no Spotify. É autor de vários best-sellers: Aprenda a Negociar com os Tubarões® (2013), Transformando Networking em Negócios® (2015) e O Código Secreto da Venda® (2020) todos publicados pela Editora Alta Books – Contato: (81) 9 9119-5002 Whatsapp

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