NUEROCIÊNCIA E APRENDIZAGEM

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Inspirado nas palavras do escritor e futurista norte-americano Alvin Toffler, no século XXI para viver uma vida plena não basta talento, é preciso flexibilidade cognitiva e abertura mental para aprender, desaprender e reaprender. Até meados do século XX o ser humano não tinha conhecimento que o cérebro é capaz de continuar a aprender ao longo de toda a vida e que ele se transforma estruturalmente através do aprendizado, processo que a ciência chama de neuroplasticidade.

A neurociência da aprendizagem busca estudar o cérebro e o funcionamento do sistema nervoso, além dos aspectos que influenciam o processo de aprendizagem, como, por exemplo, as experiências de vida e a idade biológica do indivíduo. Ou seja, o processo de aprender algo novo se baseia em um conhecimento prévio sobre algo, assim, as redes neurais que estruturam biologicamente o conhecimento no cérebro, são redesenhadas, otimizando insights.

Em outras palavras, quanto mais aprendemos, mais aumentamos nossa inteligência. Não é por acaso, que o cérebro passa a performar melhor quando é estimulado pelo hábito de se interessar e consumir conteúdos relevantes. Em síntese, a neuroplasticidade ou plasticidade cerebral é a capacidade que o cérebro humano possui de se remodelar em função das experiências de aprendizagem de cada indivíduo, reformulando as suas conexões em função das necessidades e dos estímulos do meio ambiente.

Quanto mais aprendemos, mais aumentamos nossa inteligência

Exames de Ressonância Magnética Funcional (RMF) e eletroencefalograma foram cruciais para mapear o funcionamento do cérebro, a relação de quais áreas do cérebro são ativadas por estímulos internos (o pensamento) e estímulos externos (o meio). Com isso, a humanidade avançou muito em pouco tempo. Nesse contexto, a tecnologia contribuiu decisivamente para o ser humano conhecer o processo biológico e científico de aprender.

Aprender algo novo pode representar um fator intrínseco de motivação, pois contribui para o bem-estar, para o desenvolvimento humano e para a inteligência social das pessoas, pois impacta positivamente a autoimagem e a autoestima do ser humano em todas as fases da vida. Na prática, uma pessoa pode decidir cursar uma faculdade simplesmente para ser incluída em outra esfera social, para melhorar sua autoimagem, para conquistar um aumento de salário etc.

“O sucesso vem como resultado do desenvolvimento de nosso potencial”.

John C. Maxwell – Autor norte-americano

Como você deve ter percebido, aprendizagem, neurociência e tecnologia, juntas, são uma poderosa tríade que ajuda a potencializar os resultados de negócios nas empresas. Vale frisar que, empresas são feitas de pessoas, portanto, é fundamental que os gestores desenvolvam suas habilidades socioemocionais, sobretudo, a empatia.

Outro fator de suma importância que impacta a aprendizagem contínua é a “longevidade humana”, que se mostra uma realidade cada vez mais possível graças ao avanço da medicina diagnóstica e da indústria farmacêutica, e nesse contexto, o aprendizado continuado se torna crucial para a sociabilidade na fase do envelhecimento.

“O que a vida quer da gente é coragem.”

Guimarães Rosa – Escritor brasileiro

O Dr. Alexandre Kalache usou uma metáfora para definir a longevidade no cenário atual: “no passado a vida era uma corrida de 100 metros; hoje, é uma maratona.” Ora, se o ser humano vive mais é preciso lembrar que aprender faz parte do processo do envelhecimento ativo e com qualidade.

Existem inúmera formas de consumir conteúdo. Na visão do pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Pierre Lévy, três princípios orientam o crescimento do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. As novas tecnologias aguçam os sentidos e a criatividade e, como dizem os japoneses: todos nós juntos somos muito mais inteligentes do que somos sozinhos.

Independentemente do canal que uma pessoa prefira consumir conteúdo (digital, físico, nuvem etc.), as histórias ativam áreas cerebrais que mobilizam os humanos emocionalmente, além do fato de que as histórias são estruturadas com início, meio e fim, com isso, elas estimulam as habilidades de sequenciar e organizar, situadas na região do córtex pré-frontal, área do cérebro onde se localiza o CEO do cérebro. Vale ressaltar que as emoções e os estímulos aos sentidos podem tornar o aprendizado e a recordação deles mais fácil, codificando-os em memória de longa duração.

“Aprender é mudar posturas.”

Platão – Filósofo e matemático grego

 Segundo o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, Yuval Harari, a revolução cognitiva é o ponto em que a história declarou independência da biologia. Nesse sentido, o controle do fogo foi essencial para disseminar o conhecimento tácito através da contação de histórias e assim, ampliar os laços sociais ao longo de milhões de anos. Soma-se a isso tudo o potencial que as novas tecnologias têm para transformar e apoiar a aprendizagem. Afinal, seremos cada vez mais “homo discens” — o homem que aprende.

 

Valter Bahia Filho é palestrante, professor de MBA e autor do livro Conhecimento Líquido: insights sobre neurociências, aprendizagem e humanização organizacional (Alta Books, 2020). Contato: [email protected]

Assista a entrevista completa do professor Valter Bahia sobre Conhecimento Líquido na Série Papo de Especialista do Canal Radar Executivo ou no Podcast Radar Executivo no Spotify

 

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