A FORÇA DO MERCADO DA ARTE

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Há segmentos econômicos que são pouco conhecidos e explorados pelos investidores, entre estes, o mercado da arte. A arte, no entanto, sempre despertou o interesse dos poderosos, seja para que seus nomes de família estivessem associados a produção artística da época, como aconteceu com os Médicis durante o Renascimento, ou como uma boa forma de investir capital em um patrimônio fácil de transportar e com alta liquidez.

De uma maneira geral, os artistas sempre mantiveram uma relação conturbada com o dinheiro. Quando as famílias nobres, conhecidas como grandes patrocinadoras das artes paravam de financiar os seus protegidos, esses artistas precisavam para de produzir suas obras para encontrar outra atividade que lhes garantisse o sustento. Foi devido a esse tipo de incerteza, gerado pela ausência de patronos que financiassem o seu trabalho, que os artistas começaram a assinar as suas obras e vendê-las diretamente a quem estivesse interessado.

Há segmentos econômicos que são pouco conhecidos e explorados pelos investidores, entre estes, o mercado da arte

Antes deste período as obras não eram assinadas pelos seus autores, já que toda produção artística daquele pintor, pertencia na prática, aquele mecenas que investia e patrocinava com seus recursos e riqueza as suas obras. A produção não pertencia ao artista que a criou, ela pertencia aquela família nobre que financiava o trabalho, por isso, as obras passaram muito tempo sem serem assinadas pelos seus autores. Além disso, muitos artistas prestavam serviços para a igreja e as suas obras faziam partes de projetos maiores como basílicas, santuários, capelas e palácios eclesiais.

Na visão da igreja da época só Deus tinha o poder de criar, o talento humano era uma dádiva de Deus e, portanto, não pertencia ao autor da obra e sim a igreja. Quando as ideias humanistas avançaram pela Europa durante o Renascimento, a criatividade e o talento passaram a ser vistos como propriedade do autor, foi só nesse momento da história que a arte passou a ter valor econômico e as obras passaram a ser assinadas pelos artistas que as produziam, o talento passou a ser visto como algo individual, a criatividade agora tinha nome e sobrenome.

Hoje existem fundos de investimentos especializados em arte que assumiram o papel dos mecenas da Idade Média

Hoje existe toda uma cadeia de valor envolvida com a produção artística, tudo isso construído em torno do valor do talento individual de cada artista e do que ele representa na história da arte, hoje, existem fundos de investimentos especializados em arte que assumiram o papel dos mecenas da Idade Média, existe toda uma rede de galerias de arte espalhadas pelo mundo que atuam na captação e na descoberta de novos artistas através da promoção de exposições coletivas e individuais que servem para apresentar ao mercado os novos talentos.

Temos ainda pintores contemporâneos, que assumiram o controle das suas carreiras e vendem a sua produção através da redes sociais para clientes e seguidores em todo o mundo, fazendo com que o seu nome, a sua arte e o seu talento atravessem as fronteiras nacionais para chegar aos centros urbanos mais badalados do mundo como: Nova York, Milão, Paris, Barcelona e Tokyo. É importante dizer, que mesmo em mundo digitalizado, onde tudo está a um click, o protagonismo das galerias de arte vem crescendo no mundo todo.

As galerias de arte são as incubadoras dos novos talentos, são elas que promovem, vendem e gerenciam a carreira de muitos artistas que preferem se dedicar apenas a sua produção artística, deixando nas mãos de profissionais do mercado a gestão da sua carreira. O papel desta rede de galerias é fundamental, tanto na descoberta de novos talentos quanto no papel de especialistas no mercado da arte que vão ajudar investidores individuais e fundos de investimento especializados na seleção e na aquisição dos melhores trabalhos.

As galerias de arte são as incubadoras dos novos talentos, são elas que promovem, vendem e gerenciam a carreira de muitos artistas que preferem se dedicar apenas a sua produção artística

O mercado de arte contemporânea brasileiro ainda tem muito o que avançar e amadurecer, mas já dá sinais de dinamismo, uma prova disso é o seu sólido processo de expansão e internacionalização. Conforme relatório anual – https://imgpublic.artprice.com/pdf/the-contemporary-art-market-report-2021.pdf – publicado pela Artprice, consultoria internacional líder mundial em bancos de dados sobre índices de cotização de arte, houve um aumento no volume de vendas no mercado de arte contemporânea de 19%, entre julho de 2017 e junho de 2018, movimentando por volta de US$ 1,8 bilhão ao redor do mundo, neste período os preços da arte contemporânea cresceram 18,5%.

A partir dos anos 90, com a abertura dos mercados internacionais para a arte contemporânea produzida em países fora dos eixos americanos e europeus, houve um crescente interesse pela produção de artistas de vanguarda brasileiros como Vik Muniz, Eduardo Kobra, Alex Senna, Marcelo Eco, Os Gêmeos e Romero Britto.

Os investidores internacionais estão sendo atraídos pelo mercado brasileiro de arte contemporânea, sendo que 88% dos que participaram da pesquisa realizada pela Artprice destacam a qualidade da produção como um dos pontos fortes e citam que a sofisticada base de colecionadores brasileiros é fator relevante para o crescimento do setor. Outro aspecto que atrai novos investidores, é a oferta de obras com preços mais acessíveis, o que abre espaço para uma nova geração de colecionadores.

Os investidores internacionais estão sendo atraídos pelo mercado brasileiro de arte contemporânea, sendo que 88% dos que participaram da pesquisa realizada pela Artprice destacam a qualidade da produção como um dos pontos fortes

As vendas para o mercado nacional ainda respondem pela maior parte deste mercado, mas a internacionalização já apresenta uma significativa expansão. Nos últimos anos, ocorreu um aumento da diversificação de destinos para as obras comercializadas por artistas brasileiros, atingindo mais de 30 países, com destaque para os Estados Unidos, Reino Unido, França e Suíça. Entre as galerias pesquisadas, 61% afirmaram ter um planejamento nítido, explícito e institucional para a internacionalização, tornando-se fator importante para a captação de investidores estrangeiros e aumentando as negociações internacionais.

No mercado brasileiro, a arte também se expande e eleva o número de comercialização das obras. As negociações das obras de arte são feitas em maior número dentro das galerias, representando 58% das transações. As feiras também são excelentes espaços e aparecem em 2º lugar, com 40% das vendas. Mesmo com o desaquecimento econômico brasileiro e os diversos problemas decorrentes da pandemia, o mercado de arte contemporânea apresenta crescimento e segue se fortalecendo com a entrada de novos artistas brasileiros no mercado nacional e internacional.

Nos últimos anos, ocorreu um aumento da diversificação de destinos para as obras comercializadas por artistas brasileiros, atingindo mais de 30 países, com destaque para os Estados Unidos, Reino Unido, França e Suíça

 

Núcleo de Jornalismo da Revista Radar Executivo

 

Head of Content – Prof. Jorge Menezes é palestrante, jornalista, escritor, colunista nas áreas de empreendedorismo e negócios. Apresentador do Canal Radar Executivo no YouTube e do Podcast Radar Executivo no Spotify. É autor de vários best-sellers: Aprenda a Negociar com os Tubarões® (2013), Transformando Networking em Negócios® (2015) e O Código Secreto da Venda® (2020) todos publicados pela Editora Alta Books – Contato: (81) 9 9119-5002 Whatsapp

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