DA LAMA AO CAIS

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A revitalização dos portos urbanos abre novas oportunidades de negócios nos segmentos de hotelaria e gastronomia ao redor do mundo

Algumas das maiores cidades do mundo nasceram em volta de importantes portos comerciais. Esta localização estratégica garantia um fluxo constante de riquezas em forma de produtos, tendências e ideias que eram trazidas através de navios que chegavam de lugares distantes e exóticos, antes inacessíveis.  Esse fluxo de riquezas e ideias foi fundamental para consolidar o intercâmbio cultural e comercial entre o oriente e o ocidente, fazendo com que culturas separadas geograficamente por milhares de quilômetros pudessem finalmente se encontrar.

Empresas de comércio e navegação como a Companhia da Índias Orientais traziam especiarias, mas traziam também inovações tecnológicas e novas ideias que vinham de cidades como Shangai, Bagdá, Beirute, Nova Deli, Istambul e muitas outras que faziam parte, ou sofriam influencia, da famosa Rota da Seda que ligada o Oriente ao Ocidente, atravessando desertos e ligando lugares distantes aos grandes centros urbanos da época através de uma rede de portos localizados em cidades como Veneza, Alexandria e Roterdã.

Algumas das maiores cidades do mundo nasceram em volta de importantes portos comerciais. Esta localização estratégica garantia um fluxo constante de riquezas

Essa vocação para o comércio manteve os portos urbanos como importantes centros de troca, e fez com que as cidades que surgiram em seu entorno, crescessem  e se tornassem grandes centros onde a arte, a cultura, a gastronomia, as crenças e as ideias dos mais diferentes povos se misturassem em um verdadeiro caldeirão de inovação e mudança. Era nesse ambiente fervilhante de ideias, onde o convívio de pessoas das mais diferentes origens, fez com que o mundo avançasse e criou as condições culturais para chegada do Renascimento.

Os portos eram também lugares perigosos, onde as pessoas iam à procura de “diversões proibidas” como prostitutas, jogatina e todos os tipos de prazeres condenados pelos rígidos códigos impostos pela igreja e pela sociedade da época. Os portos proporcionavam uma mistura única de pessoas, que reunia em um só espaço boêmios, marinheiros, artistas, comerciantes, aventureiros e golpistas de todo o tipo.

O declínio dos portos urbanos veio com a instalação de novos portos localizados fora dos limites das grandes cidades, com uma nova estrutura voltada para receber os enormes navios cargueiros que precisavam de portos com uma profundidade muito maior do que as antigas embarcações. O tamanho gigantesco destes novos navios, impedia que eles atracassem nos pequenos portos urbanos utilizados até então, isso inviabilizou os antigos portos, que em sua maioria, foram abandonados e entraram em decadência.

Era nesse ambiente fervilhante de ideias, onde o convívio de pessoas das mais diferentes origens, fez com que o mundo avançasse e criou as condições culturais para chegada do Renascimento

A revitalização e a requalificação dos portos urbanos é um movimento mundial em todos os grandes centros, onde os antigos ancoradouros, há muito abandonados e tomados pelo mato e pela violência, passaram por uma verdadeira transformação. Os antigos espaços portuários de cidades como Barcelona, Buenos Aires, Cidade do Cabo e Xangai foram os pioneiros nesse movimento, seguido agora, por algumas cidades brasileiras como Recife, Belém, Salvador e Rio de Janeiro, onde as antigas instalações portuárias, antes abandonas, viram surgir restaurantes finos, cafés descolados e hotéis charmosos que ocuparam de vez  a região do cais do porto.

O cais do porto abriga agora startups de tecnologia, onde a inovação e o encontro de pessoas das mais diversas nacionalidades, mantém acessa a tradição de troca de informações e ideias dos antigos portos urbanos. Lugares como o Porto Digital em Recife, que ocupou a região onde antes existia a zona boêmia e o baixo meretrício, recebe agora empresas de tecnologia de todo o mundo, onde diversas nacionalidades convergem e convivem de olho na inovação e na criação das tecnologias do futuro.

Outras áreas portuárias como a de Londres, foram ocupadas por empresas de serviços financeiros e escritórios de advocacia, outras como a zona portuária da Cidade do Porto em Portugal foram invadidas pela gastronomia e por charmosas pousadas que atraem turistas do mundo inteiro para apreciar as belezas da cidade e degustar um bom Vinho do Porto em uma das suas diversas caves situadas às margens do rio, onde o vai e vem dos barcos com turistas para visitar as diversas vinícolas é frenético.

A revitalização e a requalificação dos portos urbanos é um movimento mundial em todos os grandes centros

Cidades como Buenos Aires transformaram a antiga região do porto em um verdadeiro centro de lazer e eventos, com pistas para quem curte correr ao ar livre e passeios de bike, além disso tudo, você pode também, encontrar gente bonita e interessante em uma das diversas baladas que rolam todas as noites nesse recanto portenho. Barcelona foi outra cidade que também investiu na revitalização do seu antigo espaço portuário, onde integrou o centro antigo da cidade com a região do porto, lá você pode encontrar diversas lojas de grife e também estúdios de designs famosos que produzem moda, decoração e arte com sofisticação, bom-gosto e criatividade.

A maior lição que podemos aprender com a revitalização dos portos urbanos, é que as nossas cidades são ambientes vivos e dinâmicos, que mesmo áreas que estavam abandonadas e entregues a violência, podem ser recuperadas. A cidade é onde vivemos, onde convivemos e onde construímos nossos relacionamentos pessoais e profissionais. Precisamos assumir como cidadãos o protagonismo com relação aos espaços urbanos das nossas cidades, temos          que entender que as cidades mudam junto com a sociedade, e que a conservação do lugar em que vivemos é nossa responsabilidade.

Criar espaços urbanos de convívio, onde os moradores possam conviver com os turistas, é uma a maneira inteligente de gerar emprego e renda de forma limpa e com baixo impacto ambiental. Os espaços urbanos vazios precisam ser ocupados com parques, com áreas verdes, como lugares para o cultivo da saúde física e mental. Precisamos criar espaços de integração social, onde as pessoas possam se conhecer e conviver em harmonia. Espaços como esses, oferecidos pela recuperação dos antigos portos urbanos é uma prova disso.

A maior lição que podemos aprender com a revitalização dos portos urbanos, é que as nossas cidades são ambientes vivos e dinâmicos

A gastronomia, a arte, a moda e a cultura criam elos de ligação entre as pessoas, geram identidade cultural, fortalecem o sentimento de que somos donos da nossa cidade, tanto quanto somos donos da nossa casa. Na verdade, a cidade tem que ser vista como a nossa casa, temos que cuidar dela e preservá-la, temos que transformar as nossas cidades para que os seus espaços urbanos priorizem a conservação do patrimônio histórico, a cultura local, o meio ambiente e, acima de tudo, as pessoas.

 

Núcleo de Jornalismo da Revista Radar Executivo

 

Head of Content – Prof. Jorge Menezes é palestrante, jornalista, escritor, colunista nas áreas de empreendedorismo e negócios. Apresentador do Canal Radar Executivo no YouTube e do Podcast Radar Executivo no Spotify. É autor de vários best-sellers: Aprenda a Negociar com os Tubarões® (2013), Transformando Networking em Negócios® (2015) e O Código Secreto da Venda® (2020) todos publicados pela Editora Alta Books – Contato: (81) 9 9119-5002 Whatsapp

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