MOZART E O MITO DA CRIATIVIDADE

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Wolfgang Amadeus Mozart nasceu no dia 27 de janeiro de 1756 na cidade de  Salzburgo na Áustria. Salzburgo era uma cidade cosmopolita e disputava com Viena o lugar de cidade das artes, as ruas de Salzburgo eram repletas de cafés e bares onde os escritores, músicos, artistas e pensadores encontravam-se para trocar ideias, encher a cara, falar sobre política, economia e sem dúvida sobre as suas conquistas amorosas. A influência do ambiente destas duas cidades, Viena e Salzburgo, foram determinantes para obra musical de Mozart.

Mozart começou a compor aos seis anos de idade e nos deixou mais de seiscentas obras entre elas muitas sinfonias, operas e diversos outros estilos. O talento de Mozart para música é inquestionável e ficou eternizado no filme Amadeus que estreou nos cinemas em 1984. A biografia deste irreverente, criativo e contestador músico o colocou a frente do seu tempo, a sua imagem de gênio da música, promovida e estimulada pelo seu pai, Leopold Mozart fez nascer o mito de que as suas obras nasciam prontas, como que por inspiração divina.

A influência do ambiente destas duas cidades, Viena e Salzburgo, foram determinantes para obra musical de Mozart

Leopold Mozart exercia o papel de empresário do seu filho, o talento do jovem Amadeus era divulgado entre as cortes europeias gerando fama, fortuna e diversas apresentações para realeza. O mito do gênio era estimulado, porque era bom para os negócios, as pessoas gostam de pensar que estão diante de um talento sobrenatural, gostam de pensar que a criatividade de Mozart era fruto de inspiração divina, e que ele escrevia as suas obras em momentos de êxtase criativo. Todo mundo gosta de pensar que a criatividade é um dom, um privilégio dos gênios, uma habilidade dada aos escolhidos.

Além disso, a mídia da época, gostava de reforçar este tipo de mito, porque histórias deste tipo vendem. Histórias de gênios mexem com a mente humana e nos fazem acreditar que existe uma raça de eleitos, que estão acima das habilidades e competências dos outros seres humanos. A mídia incentivou o mito do gênio criativo. Em 1815 um jornal alemão publicou uma carta supostamente atribuída a Mozart que descrevia o seu processo criativo. Nesta carta, o jornal dava a entender que Mozart, recebia a inspiração para as suas sinfonias de maneira completa e acabada, a carta dizia que Mozart simplesmente pensava em suas sinfonias e as escrevia sem retoques como vinha a sua mente.

Todo mundo gosta de pensar que a criatividade é um dom, um privilégio dos gênios, uma habilidade dada aos escolhidos

O jornal queria vender a ideia de que Mozart não precisa fazer e refazer o seu trabalho, a ideia da carta era que Mozart criava tudo finalizado e simplesmente apresentava as suas obras prontas logo depois, como se tivesse sido tomado por um lampejo criativo, quase que abduzido de alguma forma pelas suas ideias e pensamentos. O jornal queria reforçar o mito do gênio criativo. A ideia era que Mozart terminava de imaginar as suas obras e logo em seguida criava a partitura final, sem retoques, sem erros, sem ajustes, sem caminhos equivocados, sem testar possibilidades.

Só havia um problema nesta carta publicada pelo jornal alemão, Mozart nunca escreveu essa carta, ela é falsa, usando a linguagem de hoje, era uma fake news. Isso ficou provado anos depois pelo biógrafo de Mozart, Otto Jahn e vem sendo confirmado por vários estudiosos desde então. As verdadeiras cartas de Mozart para o seu pai, sua irmã e outras pessoas do seu círculo íntimo provam o contrário e mostram o verdadeiro processo criativo de Mozart. Ele era excepcionalmente talentoso, mas não produzia as suas composições inteiras e acabadas como dizia a falsa carta.

Mozart era excepcionalmente talentoso, mas não produzia as suas composições inteiras e acabadas como dizia a falsa carta

Mozart esboçava as suas composições, mudava muitas partes de lugar, tentava várias alternativas, experimentava diversas passagens diferentes, ficava empacado em uma parte, deixava o trabalho parado durante semanas depois voltava a ele. Mozart avaliava o seu trabalho enquanto escrevia, apagava, pensava sobre o ritmo, a melodia e a harmonia. Ainda que todo o seu talento e a sua experiência o tornar-se extremamente rápido e fluente neste processo, apesar de tudo isso, Mozart seguia o mesmo processo criativo que qualquer um de nós usa quando quer solucionar um problema.

Mozart fazia experiências criativas, ele tentava, errava e buscava opções até encontrar. Mozart não recebia as sinfonias prontas e acabadas, ele tinha que trabalhar, pensar, testar opções como qualquer pessoa faz quando está em tentando fazer uma ideia dar certo. As soluções mais elegantes e criativas não surgem em um lampejo, nem surgem em um raio de luz vindo da eternidade, as soluções criativas são fruto de trabalho, persistência e resistência.

As soluções mais elegantes e criativas não surgem em um lampejo, nem surgem em um raio de luz vindo da eternidade, as soluções criativas são fruto de trabalho, persistência e resistência

É certo que o talento é um componente central do processo criativo, mas ele não ocupa sozinho o lugar destaque, existem outros fatores que são tão importantes quanto ele. O talento sem um esforço mental concentrado em determinada tarefa não se traduz em sinfonias eternas, em pinturas famosas ou em obras literárias, muitos menos em soluções criativas para os problemas da sua empresa. O processo para se criar um aplicativo de sucesso é o mesmo empregado para se escrever uma sinfonia. Tentativa e erro, fazer, refazer, escrever, escrever de novo de outro jeito, experimentar as ideias, jogar com as opções.

O gênio é alguém que trabalhou mais, alguém que tentou mais opções, que experimentou mais, alguém que persistiu o suficiente até encontrar a solução, alguém que resistiu a todas as críticas, alguém que resistiu ao desânimo, alguém que teimou até o fim, até encontrar aquilo que procurava. É assim que nascem os gênios, os gênios não são fruto de geração espontânea, os gênios nascem do esforço, nascem das tentativas frustradas, nascem dos erros cometidos, nascem dos pequenos ajustes que acontecem ao longo do processo.

O gênio é alguém que trabalhou mais, alguém que tentou mais opções, que experimentou mais, alguém que persistiu o suficiente até encontrar a solução

A história de Mozart nos estimula a rever o nosso conceito de genialidade, nos provoca  a pensar sobre o quanto estamos nos esforçando para encontrar as soluções que tanto buscamos. Nos faz pensar se acreditamos o suficiente nas nossas ideias e nos nossos projetos. Nos faz rever os nossos conceitos sobre criatividade. Nos faz perguntar se estamos aptos para resistir à pressão, ao fracasso, aos nossos erros, se estamos dispostos a vencer as nossas limitações, e a seguir em frente até conquistar aquilo que estamos buscando.

Mozart é um gênio não apenas pelo seu talento, Mozart é considerado um gênio porque ele soube usar o seu talento da maneira correta, ele soube tirar o melhor proveito das suas competências e traduzi-las em uma carreira extremamente produtiva. Quando acreditamos que os gênios são especiais e diferentes dos outros seres humanos deixamos de acreditar que somos capazes de criar, deixamos de experimentar, deixamos de tentar coisas novas, deixamos que os nossos erros limitem as nossas ações.

Quando acreditamos que os gênios são especiais e diferentes dos outros seres humanos deixamos de acreditar que somos capazes de criar

Aprenda a usar os seus talentos com inteligência, use a sua genialidade para construir um futuro diferente para você e para a sua empresa. Nunca aceite uma ideia sem questionar, nunca deixe de buscar a verdade dos fatos através da luz do conhecimento. Não acredite que a criatividade é apenas para os eleitos, para os escolhidos, nunca pense que ter boas ideias é apenas para alguns, não acredite que o mundo é dividido entre os gênios e os demais mortais. A criatividade é uma característica humana, que foi entregue a mim, a você e a qualquer pessoa que tenha coragem e disposição suficientes para procurá-la até encontrar.

 

Autor: Prof. Jorge Menezes é palestrante, jornalista, escritor, colunista nas áreas de empreendedorismo e negócios. Apresentador do Canal Radar Executivo no YouTube e do Podcast Radar Executivo no Spotify. É autor de vários best-sellers: Aprenda a Negociar com os Tubarões® (2013), Transformando Networking em Negócios® (2015) e O Código Secreto da Venda® (2020) todos publicados pela Editora Alta Books – Contato: (81) 9 9119-5002 Whatsapp

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